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06/Nov/2025

China compra mais soja do Brasil e ignora os EUA

Segundo a AgResource, a China comprou nas últimas 24 horas mais seis a sete navios com soja do Brasil para embarque em dezembro, aproximando o total do mês a cerca de 20 carregamentos. O movimento confirma que a China segue priorizando o Brasil, e não os Estados Unidos, mesmo após o anúncio do acordo comercial entre os dois países na semana passada. A situação mudou. O Brasil agora oferecerá soja ao longo de todo o ano-safra. Nunca foi assim. A competitividade de preços sustenta essa preferência. Para março a maio, a soja brasileira está US$ 1,20 a US$ 1,30 por bushel abaixo das cotações no Golfo dos Estados Unidos; em abril e maio, o desconto frente aos futuros na Bolsa de Chicago é de US$ 0,30 a US$ 0,40 por bushel. A soja brasileira é simplesmente muito barata. O Brasil permanece mais competitivo até julho, limite da atual janela de visibilidade do mercado.

O acordo divulgado pelo governo norte-americano prevê que a China compre 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos até o fim de 2025 e 25 milhões de toneladas por ano de 2026 a 2028, mas o compromisso é em compra, não em embarque. Compra é muito diferente de embarque. A China pode comprar contratos na Bolsa de Chicago e isso seria contado como compra, mas não significa grão físico saindo dos Estados Unidos. Sem a exigência de embarques auditáveis, o acompanhamento fica impreciso. Sem embarque, não há como medir. Isso mantém os Estados Unidos escuro sobre o que a China fez ou está fazendo, agora e nos próximos anos. No custo final para o importador chinês, a soja dos Estados Unidos chega mais cara que a brasileira. Isso porque continua em vigor uma tarifa extra de 10% aplicada pela China durante a disputa comercial do governo Donald Trump, além da tarifa básica de 3% cobrada igualmente de Brasil e Estados Unidos.

O resultado é uma alíquota efetiva de 13% sobre a soja norte-americana. Na prática, esse adicional representa cerca de US$ 44,00 por tonelada (aproximadamente US$ 1,20 por bushel) a mais no custo da soja dos Estados Unidos. Ninguém, exceto Cofco ou Sinograin, vai comprar soja dos Estados Unidos. Um esmagador privado chinês não fará isso. Quando se soma essa tarifa à diferença de preço no físico, a soja norte-americana acaba ficando entre US$ 2,20 e US$ 2,40 por bushel mais cara do que a brasileira, o que mantém o Brasil como a origem preferencial da China neste momento. A logística também limita 2025. A China precisa de cerca de seis semanas entre a compra e o embarque de soja dos Estados Unidos. Com novembro já tomado e a primeira quinzena de dezembro comprometida por compras no Brasil, a janela se restringe à segunda metade de dezembro.

Na primeira metade de dezembro, a China está comprando no Brasil. É irreal esperar 12 milhões de toneladas embarcadas dos Estados Unidos até 31/12. Esses volumes tenderiam a ser contabilizados no ano-safra 2025/2026, não no ano civil de 2025. No lado da oferta, o Brasil exportou 1,5 milhão de toneladas de soja na última semana, sinal de que a safra 2024/2025 pode ter sido maior que os 169 milhões de toneladas estimadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A safra tem que ser bem maior se ainda estão exportando. A colheita passada pode ter sido subestimada em 4 a 6 milhões de toneladas e, com clima bom, a safra atual pode chegar a 180 milhões de toneladas ou mais. Na Bolsa de Chicago, o mercado está caro diante do quadro de exportações dos Estados Unidos. Os estoques finais norte-americanos negociados nesta quarta-feira (05/11) estão entre 7 e 7,6 milhões de toneladas, o que sugere US$ 11,50 a US$ 11,75 por bushel para preços de março.

Porém, com relação estoque/uso acima de 11%, a média na fazenda tenderia a cerca de US$ 9,75 por bushel. Até o fim de novembro, as inspeções de soja dos Estados Unidos devem ficar entre 8,2 e 8,7 milhões de toneladas, abaixo do mesmo período do ano passado. O mercado está dizendo que a estimativa do USDA está correta, mas é preciso esperar as inspeções e o Brasil hipercompetitivo em janeiro e fevereiro. Todo o negócio não norte-americano vai para o Brasil a esses preços. A China compra o que precisa ao menor preço oferecido. Em 2019, quando um rali nos Estados Unidos foi contido pela oferta barata da América do Sul, é exemplo do que provavelmente está acontecendo agora, a menos que haja problema climático na América do Sul. E não há hoje. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.