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06/Nov/2025

Acordo EUA-China decepciona produtores dos EUA

Segundo a StoneX, o acordo comercial entre Estados Unidos e China decepcionou os produtores norte-americanos de soja e pode abrir ainda mais espaço para o Brasil dominar o mercado global nos próximos anos. O compromisso chinês de comprar 12 milhões de toneladas em 2025 representa menos da metade dos 27 milhões de toneladas adquiridas no ano passado. Mesmo no cenário mais otimista, em que esse volume se refira apenas a novembro e dezembro, o total anual chegaria a 17,9 milhões de toneladas, ainda 30% abaixo de 2024. Os produtores ficaram decepcionados. No ano passado, foram 27 milhões de toneladas. Agora, são 12 milhões para 2025, apenas 55% do ano anterior. O mercado interpretou o compromisso para os próximos três anos como um teto, não um piso. Está colocando um limite em vez de garantir um mínimo. O movimento no mercado físico reforça o ceticismo.

Depois que a China anunciou a compra de 180 mil toneladas de soja norte-americana antes da reunião entre Xi Jinping e Donald Trump, os prêmios de exportação no Brasil caíram. Importadores chineses aproveitaram e fecharam cerca de 20 navios de soja brasileira, aproximadamente 1,2 milhão de toneladas. A China vai fazer o que sempre fez: comprar o mais barato disponível. E o mais barato continua sendo o Brasil. O plantio brasileiro é outro trunfo. A semeadura começou rápida, mas se desacelerou nas últimas semanas. Dados da AgRural mostram que 47% da área estava plantada até a semana passada, contra 54% em igual período do ano anterior. Isso dá à China todas as’ cartas de ouro’ nas mãos. A China pode esperar para ver o que acontece com a safra brasileira. Se o Brasil colher bem, será questão de preço. Se houver problemas com La Niña, a China pode optar pelos Estados Unidos. A falta de confirmação oficial da China também pesa. Até agora não houve compromisso firme da China sobre soja.

A China confirmou trégua de um ano, suspensão de taxas sobre navios norte-americanos e retorno de terras raras à mesa, mas não ‘bateu o martelo’ sobre volumes de soja. Na terça-feira (04/11), sinalizou que até 10 de novembro vai avaliar se reduz ou remove a tarifa de 15% sobre produtos agrícolas norte-americanos. Na Bolsa de Chicago, o rali de cerca de US$ 0,75 por bushel acumulado nos últimos dez dias já começou a perder força. A alta foi puxada pelas manchetes do acordo, e não por fundamentos de oferta e demanda. O índice de força relativa (RSI), que mede quando o mercado está “esticado” ou caro demais, chegou a 83% nos últimos dias. Valores acima de 70% indicam que o preço subiu rápido demais e tende a corrigir. Atualmente, o RSI está em 77%, ainda elevado. O movimento de correção também reflete o avanço da colheita nos Estados Unidos, que chegou a 91% da área, e a projeção de que o Mercosul deve produzir cerca de 242,3 milhões de toneladas, acima do volume do ano passado, o que reforça a expectativa de oferta confortável.

Há ainda uma ambiguidade sobre 19 milhões de toneladas de soja que outros países asiáticos supostamente comprariam dos Estados Unidos. Está confuso. Há dúvidas se é ao longo dos próximos anos ou concentrado em 2026. Se for para o próximo ano, somado às compras chinesas, o total se aproximaria da meta do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Observa-se ainda movimentos geopolíticos para reduzir dependência dos Estados Unidos. China e União Europeia iniciaram conversas inéditas sobre livre comércio. O Canadá acelera negociações com a China. E a Rússia voltou a discutir plataforma para os Brics negociarem produtos agrícolas fora do dólar, pela Bolsa de Dubai. Pode levar meses ou anos, mas mostra o desejo dos Brics de se afastar do controle norte-americano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.