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06/Nov/2025

China reduz em 50% tarifa sobre soja norte-americana

A China cortou pela metade a tarifa sobre soja dos Estados Unidos, de 20% para 10%, mas o alívio foi menor que o esperado e a soja norte-americana segue mais de US$ 1,00 por bushel acima da soja brasileira no porto chinês, avaliou a StoneX. Com isso, apenas a estatal Sinograin deve comprar soja norte-americana, enquanto esmagadores privados seguirão optando pelo Brasil. Foi decepcionante. A expectativa era de que a China removeria totalmente as tarifas, mas em vez disso cortou pela metade. A China reduziu a tarifa em resposta ao corte do governo norte-americano nas tarifas sobre fentanil, que caíram de 20% para 10% no acordo comercial. A tarifa total sobre a soja norte-americana na China ficou em 13%: 10% retaliatórios mais 3% da tarifa básica de nação mais favorecida, cobrada de todos os países. Para o Brasil e Argentina, só incidem os 3%. Isso faz com que a soja dos Estados Unidos fique mais de US$ 1,00 por bushel mais cara que a brasileira ao desembarcar nos portos chineses.

Mesmo sem a diferença tarifária, a soja do Golfo do México já é entre US$ 0,10 e US$ 0,15 por bushel mais cara que a brasileira por questões de logística. Se coloca a tarifa em cima, adiciona outros 10%. Esmagadores chineses não têm incentivo para comprar dos Estados Unidos. Eles podem conseguir soja mais barata do Brasil mesmo da safra velha. E assim que a colheita começar em janeiro, ficará ainda mais barato. Os prêmios no Brasil caíram nos últimos dez dias. Simplesmente não é econômico para os esmagadores chineses. A única forma de a China cumprir o compromisso de comprar 12 milhões de toneladas em 2025 e 25 milhões por ano até 2028 é por meio da Sinograin, a compradora estatal de grãos. Como é do governo, a Sinograin não paga tarifa de verdade; é o governo pagando a si mesmo. Há relatos de compras desde que o acordo entrou em vigor, mas os volumes ainda não foram confirmados. Mesmo assim, há dúvidas se o acordo seja cumprido integralmente.

Os grãos comprados pela estatal vão para reservas governamentais e depois são leiloados para esmagadores privados. Isso corrói a confiança de que a China vai cumprir esse acordo. O mercado reagiu bem, mas o rali não vai se sustentar. A menos que a China realmente isente as tarifas. Durante o primeiro governo Trump, a China simplesmente zerou as tarifas para aumentar as compras. Isso pode acontecer de novo. Outra dúvida é sobre os 12 milhões de toneladas para 2025. A Casa Branca entende que é um negócio novo. Mas, a China comprou 5,9 milhões de toneladas no início deste ano, quase metade do total. Parece que a China não tem o mesmo entendimento. Se a China considerar os 5,9 milhões como parte dos 12 milhões, o acordo vale muito menos. Caso sejam 12 milhões de toneladas novas, os Estados Unidos atingem a meta de exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Se não, o órgão terá que cortar a previsão, o que pode pressionar preços. O acordo Estados Unidos-China não foi revolucionário, mas sim uma desescalada de tensões. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.