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20/Aug/2025

Exportadores dos EUA apelam por acordo com China

A Associação Americana de Soja (ASA) pediu nesta terça-feira (19/08) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, priorize a oleaginosa nas negociações comerciais com a China. Em carta enviada à Casa Branca, a entidade afirmou que os agricultores dos Estados Unidos estão em um "precipício comercial e financeiro" diante da ausência de compras chinesas para a safra 2025/2026. A ASA exige remoção imediata das tarifas retaliatórias impostas pela China e compromissos formais de aquisição. Os produtores de soja estão sob extrema pressão financeira. Os preços continuam caindo e, ao mesmo tempo, os agricultores estão pagando significativamente mais por insumos e equipamentos. Os produtores de soja dos Estados Unidos não podem sobreviver a uma disputa comercial prolongada com seu maior cliente: a China.

A China responde por 61% de toda a soja importada mundialmente. Historicamente, os Estados Unidos eram o fornecedor preferencial do país asiático. Essa posição mudou após a guerra comercial de 2018, quando a China retaliou tarifas norte-americanas e deslocou a maior parte da demanda para a América do Sul. Devido à retaliação tarifária em curso, os clientes de longa data na China se voltaram e continuarão a se voltar para América do Sul para atender sua demanda, afirma a carta. O documento destaca que o Brasil pode atender a essa demanda devido ao aumento significativo da produção desde a guerra comercial anterior com a China. O Brasil ampliou a capacidade produtiva nos últimos anos e hoje consegue suprir sozinho o volume que a China necessita. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que o Brasil produziu 42% mais soja que os Estados Unidos em 2024/2025, totalizando 112 milhões de toneladas exportáveis, volume equivalente à demanda chinesa total.

A desvantagem competitiva dos norte-americanos está na tarifa. Atualmente, a soja dos Estados Unidos paga uma tarifa retaliatória de 20%, além da tarifa de Nação Mais Favorecida (MFN) de 3% e do imposto sobre valor agregado (VAT), que juntos elevam a alíquota total a 34% em 2025. Embora a nova tarifa seja 5% menor que a aplicada durante a guerra comercial de 2018, o diferencial mantém a soja norte-americana mais cara que a sul-americana, limitando novos negócios. Um estudo da ASA reforça a preocupação. Segundo o documento, a China já contratou volumes recordes do Brasil para os próximos meses e ainda firmou negócios inéditos com a Argentina para fornecimento de farelo. Os Estados Unidos, em contrapartida, têm zero embarques vendidos da nova safra, situação inédita às vésperas da colheita. Em anos normais, pelo menos 14% das compras chinesas já estariam confirmadas até agosto, com picos de 27% em safras recentes.

A sazonalidade também favorece o Brasil: enquanto o País domina as vendas entre abril e setembro, os norte-americanos tradicionalmente atendem a China de outubro a março. A ausência da demanda chinesa já pressiona as cotações na Bolsa de Chicago. Entre 18 de julho e 6 de agosto, o contrato novembro 2025 caiu US$ 0,51 por bushel (5%) para US$ 9,84 por bushel, bem abaixo do custo médio de produção estimado em US$ 12,05 por bushel. No cinturão do Norte, a situação é pior: perdas acima de US$ 1,20 por bushel em Dakota do Norte. O cenário atual remete ao episódio de 2018-2019. Durante a primeira guerra comercial, os agricultores norte-americanos perderam em média US$ 9,4 bilhões por ano em exportações de soja, valor que correspondeu a 71% do prejuízo agrícola total com tarifas. Agora, o quadro pode ser ainda pior, avalia a ASA, pois a China demonstra disposição de manter a dependência do fornecedor brasileiro.

As perdas vão além do campo. Menor renda agrícola reduz o reinvestimento em comércio, serviços e infraestrutura nas comunidades rurais. A queda nos embarques do principal produto agrícola exportado pelos Estados Unidos também amplia o déficit comercial do setor e atinge diretamente a economia de 30 Estados. O apelo da ASA a Donald Trump teve tom pessoal. “Senhor Presidente, o senhor tem apoiado fortemente os agricultores e os agricultores têm apoiado fortemente o senhor. Precisamos da sua ajuda”, escreveu. A mensagem foi enviada também a líderes do Congresso e membros do gabinete, incluindo os secretários do Tesouro, Comércio e Agricultura. A ASA cobra que o governo norte-americano obtenha um acordo que reabra o mercado chinês, seja pela eliminação das tarifas retaliatórias, seja por cotas específicas de importação.

Quanto mais avança no outono sem chegar a um acordo com a China, piores serão os impactos para os produtores de soja dos Estados Unidos, alerta a ASA. O tema ganhou ainda mais visibilidade após postagem recente de Donald Trump em rede social. No dia 11 de agosto, o presidente norte-americano pediu publicamente que a China “quadruplique rapidamente” suas compras de soja dos Estados Unidos, ressaltando a robustez da safra norte-americana. A mensagem foi bem recebida pelos produtores, mas a ASA reforçou que, até o momento, não há contratos firmados com o país asiático. Para a associação, a consolidação brasileira como principal fornecedor representa risco estratégico duradouro. Com a colheita norte-americana iniciando em setembro, cada semana sem progresso nas negociações reduz ainda mais as chances de recuperação do mercado perdido para o Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.