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18/Nov/2024

Preços da soja estão firmes no mercado doméstico

Embora a temporada 2024/2025 de soja tenha se iniciado em meio a condições climáticas adversas no Brasil, as recentes chuvas intercaladas de sol beneficiam as atividades de campo, que, agora, estão mais adiantadas do que o observado em igual período da safra anterior. Esse cenário, que sustenta as expectativas de safra recorde no Brasil, afasta os consumidores das negociações no mercado spot nacional. Os produtores também estão mais afastados das vendas, atentos à valorização do dólar e às estimativas indicando crescimento na produção global da oleaginosa. Diante disso, a liquidez está baixa. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta leve alta de 0,3%, cotado a R$ 143,68 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 0,5% nos últimos sete dias, a R$ 140,76 por saca de 60 Kg.

Nos últimos sete dias, os preços apresentam alta de 0,4% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e de 0,9% no mercado de lotes (negociações entre empresas). No campo, as atividades seguem em ritmo intenso. De acordo com relatório da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado no dia 11 de novembro, a área de cultivo de soja no Brasil pode alcançar recorde de 47,36 milhões de hectares, deste total, 66,1% foram semeados até o dia 10 de novembro. Dentre as regiões, 82,1% foram semeados no Centro-Oeste, contra 73,7% há um ano. Na Região Sudeste, a semeadura soma 71,8% da área, com avanço mais significativo em São Paulo, que segue para a reta final, contra 63,5% no mesmo período de 2023. Na Região Sul do Brasil, a semeadura alcançou 52% da área, acima dos 41,7% há um ano. Na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), os trabalhos correspondem a 28% da área, contra os 13,5% cultivados um ano atrás.

Com isso, a produção nacional também deve ser recorde, projetada em 166,14 milhões de toneladas pela Conab e em 169 milhões de toneladas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os preços futuros do complexo soja registram expressivas quedas nos últimos dias. Além de os Estados Unidos estarem encerrando a colheita da safra 2024/2025 (com 96% dos 34,91 milhões de hectares colhidos), a produção do país está estimada em 121,41 milhões de toneladas, 7,2% superior à temporada passada. Também pesam sobre os contratos incertezas sobre o impacto do novo governo dos Estados Unidos nas transações globais e a valorização do dólar frente a uma cesta de moedas (que tende a deixar o produto norte-americano menos atrativo aos importadores). Na Bolsa de Chicago, o contrato Novembro/2024 da soja registra desvalorização de 1,1% nos últimos sete dias, a US$ 10,04 por bushel.

Com base no contrato Dezembro/2024, os futuros do farelo e do óleo de soja apresentam recuo de 2,3% e 6,5% nos últimos sete dias, respectivamente, a US$ 321,43 por tonelada e US$ 996,04 por tonelada. De acordo com o USDA, o consumo norte-americano de soja é previsto em volume recorde de 68,67 milhões de toneladas, 4,7% superior à safra passada. As exportações dos Estados Unidos são projetadas em 49,67 milhões de toneladas, 7,7% acima das da temporada anterior. Ainda assim, o estoque de passagem (em agosto/2025) pode somar 12,8 milhões de toneladas, o mais alto desde a safra 2019/2020. Para atender aos elevados consumos de óleo e de farelo de soja, o esmagamento da oleaginosa deve ser recorde na temporada 2024/2025. Das 425,4 milhões de toneladas de soja em grão produzidas mundialmente, 346,15 milhões de toneladas devem ser destinadas ao esmagamento, volume 4,5% superior ao da safra 2023/2024.

Com isso, a produção mundial de óleo de soja deve somar 65,48 milhões de toneladas, sendo que 12,09 milhões de toneladas devem ser transacionadas mundialmente. A Índia, por sua vez, deve receber quase 30% dessa quantidade transacionada globalmente. Quanto à demanda, a China deve consumir volume recorde de óleo de soja, estimado em 18,8 milhões de toneladas (essa quantidade deve ser destinada à alimentação). No Brasil, o consumo industrial é estimado em 5,3 milhões de toneladas; e o consumo alimentício, em 4,23 milhões de toneladas, ambos recordes. Nos Estados Unidos, o consumo industrial é previsto em volume recorde, de 6,35 milhões de toneladas; e o consumo alimentício, em 6,44 milhões de toneladas. A produção mundial de farelo de soja é projetada em quantidade recorde de 271,49 milhões de toneladas, 4,42% superior à da temporada passada. Deste total, 74,67 milhões de toneladas devem ser transacionadas no mercado global, sendo que a maior parcela (21,7%) deve ter a União Europeia como destino. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.