23/Sep/2024
A menor demanda externa e a desvalorização do dólar frente ao Real pressionam as cotações da soja no mercado brasileiro. Além disso, grande parte dos consumidores não mostra interesse em adquirir volumes significativos no curto prazo. Esses agentes estão atentos ao início da colheita norte-americana, que já começou a redirecionar importadores para os Estados Unidos, reduzindo a disputa pelo produto brasileiro. Esse cenário elevou a disparidade entre os preços pedidos por vendedores e os ofertados por compradores no spot nacional, que chegou a passar de R$ 5 por saca de 60 Kg, a depender da região. Com isso, na última semana, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa – Paranaguá caiu 2,4%, passando para R$ 137,54 por saca de 60 Kg. Para o Indicador CEPEA/ESALQ – Paraná, a queda foi de 1,4% em igual comparativo, fechando a R$ 134,53 por saca de 60 Kg. Na média das regiões acompanhadas, os preços da soja recuaram 0,5% tanto no mercado de balcão (valor pago ao produtor) quanto no de lotes (negociações entre empresas).
O dólar se desvalorizou expressivos 3,4% nos últimos 7 dias. Entretanto, o movimento de baixa foi limitado pela resistência de vendedores em negociar o remanescente da safra 2023/2024. Esses agentes estão de olho nas previsões indicando chuvas irregulares na próxima quinzena, o que pode atrasar significativamente as atividades de campo. Diante das recentes chuvas ocorridas em partes do Paraná, a semeadura da safra 2024/2025 foi iniciada no Oeste do estado, correspondendo a 3% da área destinada à soja em Cascavel, abaixo dos 13% cultivados em período equivalente de 2023, de acordo o Deral/Seab. As regiões de Campo Mourão, de Toledo e de Umuarama também deram início às atividades. As primeiras estimativas da Conab referentes à temporada 2024/2025 indicam que a área destinada à soja pode crescer 3%, para 47,4 milhões de hectares. A expectativa é que o clima volte a favorecer o crescimento da produtividade em 9,6%.
Com isso, a produção somaria 166,3 milhões de toneladas, 12,8% superior aos dados da safra 2023/2024 e um recorde. Os preços do óleo de soja também caíram no mercado doméstico, pressionados pela baixa demanda pelo setor de biodiesel no País. As baixas, no entanto, foram limitadas pela valorização externa deste coproduto e pela alta no prêmio de exportação do óleo brasileiro, que voltou a ser negociado nos maiores patamares para um mês de setembro desde 2021. O valor do óleo de soja, posto na região de São Paulo, com 12% de ICMS, cedeu 0,8%, a R$ 6.316,86/tonelada. Já o farelo de soja se valorizou no spot nacional nesta semana, influenciado pela maior demanda doméstica – parte dos consumidores apontou interesse em adquirir novos volumes para completar estoques. Com isso, na média das regiões acompanhadas, nos últimos 7 dias, houve aumento de 1,3% nos preços do farelo de soja. Os contratos futuros do complexo soja subiram na CME Group (Bolsa de Chicago) na última semana, impulsionados pela maior demanda externa.
Os consumidores estrangeiros foram atraídos para o Hemisfério Norte diante da desvalorização do dólar frente a uma cesta de moedas. Essa queda da moeda norte-americana, por sua vez, se deve à redução de 0,5 ponto percentual na taxa de juros do Federal Reserve (Fed), divulgada na quarta-feira passada. Com isso, o vencimento Novembro/2024 da oleaginosa se valorizou levemente, cotado a US$ 10,13/bushel (US$ 22,34/saca de 60 Kg). Para o farelo, o contrato Outubro/2024 avançou 0,3%, a US$ 319,90/tonelada curta (US$ 352,63/tonelada). O contrato de primeiro vencimento do óleo de soja registrou forte alta, de 3,5%, para US$ 920,42/tonelada. A valorização do óleo de soja está atrelada ao aumento do petróleo, o que tende a incentivar as refinarias a elevar a mistura de biodiesel ao óleo diesel. Além disso, houve ligeira piora nas condições das lavouras norte-americana.
De acordo com o relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), do total da área implantada com soja, 64% apresentam condições entre boas e excelentes, 1 ponto percentual abaixo da semana passada. Em condições médias permanecem 25% das lavouras; e em condições entre ruim e muito ruins estão 11% das lavouras, 1 ponto percentual acima do observado na semana passada. As altas externas foram limitadas pelo início da colheita da safra 2024/25 nos Estados Unidos. De acordo com o relatório do USDA, 6% da área cultivada com soja foi colhida naquele país até o dia 15 de setembro, 2 pontos percentuais acima do mesmo período do ano passado e 3 pontos percentual superior à média dos últimos cinco anos. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.