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28/May/2024

Sementes de Soja: vendas para 2024/2025 reagem

As incertezas no planejamento dos produtores para a próxima temporada atrasaram as vendas de sementes de soja para a safra 2024/2025 no País. Em meados deste mês, a comercialização havia alcançado 48% do volume previsto, um ritmo bem inferior à média histórica para essa época, de 69%, segundo a Agroconsult, que, para fazer os cálculos, considerou a estimativa de redução de 0,4% na área de cultivo do grão. Em maio de 2023, os agricultores já haviam comprado 53% do volume de sementes previsto. Mas, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass), nas últimas semanas as vendas passaram a dar sinais de reação. Com os problemas climáticos e, sobretudo, o baixo valor das commodities, é evidente que o ritmo de comercialização iria se retrair. Mas, nos últimos 40 dias, ocorreram avanços. Em 2023, as sementeiras comercializaram 45 milhões de sacas de 40 Kg do insumo, estima a Abrass. A entidade não fechou os dados do ano passado por causa de alterações no calendário de semeadura, que prorrogaram o plantio e estenderam a venda de sementes até janeiro de 2024.

Neste ano, o segmento deverá faturar R$ 35 bilhões. Entram nessa conta o tratamento industrial e a biotecnologia. A despeito da lentidão dos negócios, o segmento aposta em aumento da comercialização de sementes de soja certificadas neste ano. Em 2024, as vendas podem chegar a 50 milhões de sacas de 40 Kg. A perspectiva de longo prazo também é positiva. A Céleres estima que a demanda por sementes de soja em 2031/2032 será de 56,9 milhões de sacas de 40 KG. Com o aumento de área e a busca dos agricultores por novas tecnologias, o mercado gradativamente pedirá esse volume. Por outro lado, as sementeiras dizem que a lei que passou a dar aos produtores a possibilidade de “salvamento” (reprodução) de sementes de uma safra para a outra pode limitar a expansão do segmento. Segundo a Blink Inteligência Aplicada, a cadeia movimentou R$ 33,6 bilhões na safra 2022/2023 com o plantio de 55,3 milhões de sacas de 40 Kg de sementes de soja, mas cerca de 11 milhões de sacas de 40 Kg são de sementes salvas pelos próprios produtores rurais.

A legislação permite ao agricultor salvar sementes. Então, o setor não participa de cerca de 30% do mercado. Isso afeta diretamente 30% do volume e, indiretamente, reduz o valor, pois é uma concorrente direta para reduzir o preço. Os sementeiros querem alterações na lei para que os agricultores paguem royalties sobre a genética das sementes salvas. Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) afirmou que os agricultores concordam em pagar pelo germoplasma de acordo com a área declarada ao Ministério da Agricultura. A associação cobra, porém, transparência no compartilhamento de dados da biotecnologia das cultivares e que a dona da tecnologia perca a proteção de patente em caso de ausência das características descritas. Todos que estão na cadeia têm que ser remunerados.

A “sobreoferta” de sementes de soja no mercado tem apertado as margens dos multiplicadores. Para driblar a situação, as sementeiras estão apostando na ampliação das vendas diretas aos agricultores. Essa modalidade representou 19% do mercado na safra 2022/2023, apesar da concorrência com revendas, tradings e outros agentes. As cooperativas, que lideravam a comercialização, perderam espaço nos últimos anos, já que o avanço do plantio de soja tem ocorrido principalmente no Centro-Norte, área em que a atuação delas é proporcionalmente menor. Na safra 2022/2023, os produtores de soja do Cerrado utilizaram 33,4 milhões de sacas de 40 Kg de sementes do grão. A Sementes Oilema, de Barreiras (BA), já vende diretamente ao produtor mais de 70% do volume que comercializa. A empresa atende 2,5% da necessidade das lavouras do Brasil. Mais de 1,1 milhão de hectares do País são cultivados com as sementes da empresa. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.