20/May/2024
Alguns setores da Argentina, maior exportadora mundial de farelo e de óleo de soja, estão em greve há uma semana, o que tem resultado em deslocamento de importadores de derivados de soja para o Brasil, o segundo maior abastecedor global desses produtos. Com isso, os consumidores domésticos vêm disputando as aquisições com os estrangeiros, resultando em aumento nos prêmios de exportação e nos preços internos. O óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) registra alta expressiva de 4,3% nos últimos sete dias, indo para R$ 5.140,35 por tonelada. Quanto ao farelo de soja, a valorização é de 3,1% no mesmo período. Diante disso, tendo-se como base os valores da soja, do farelo e do óleo de soja no estado de São Paulo, a “crush margin” subiu 5,17% nos últimos sete dias. Embora os preços da soja em grão estejam praticamente estáveis no spot nacional, a paridade de exportação aponta valores mais atrativos aos vendedores nos próximos meses.
Além disso, incertezas sobre as perdas em lavouras ou até mesmo em armazéns no Rio Grande do Sul deixam agentes cautelosos nas negociações de curto prazo. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 0,7%, cotado a R$ 134,99 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 0,5% nos últimos sete dias, a R$ 129,95 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa registram avanço de 5% no mercado de balcão (preço pago ao produtor), mas queda de 0,1% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Na Bolsa de Chicago, o contrato Julho/2024 da soja tem valorização de 0,6% nos últimos sete dias, indo para US$ 12,16 por bushel. A valorização do óleo de soja é de fortes 4,4% nos últimos sete dias, a US$ 981,49 por tonelada.
O contrato Julho/2024 do farelo de soja apresenta baixa 1,4% no mesmo comparativo, indo para US$ 405,32 por tonelada. De acordo com o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado no dia 10 de maio, a produção mundial de soja deve passar de 396,9 milhões de toneladas na safra 2023/2024 para um novo recorde de 422,2 milhões de toneladas em 2024/2025. Os Estados Unidos já semearam 35% dos 34,6 milhões de hectares projetados para a safra 2024/2025, com produção estimada em 121,1 milhões de toneladas, 6,8% acima da atual temporada (2023/2024). A produção 2024/2025 no Brasil é estimada em novo recorde, de 169 milhões de toneladas, 9,7% superior às 154 milhões de toneladas indicadas para 2023/2024. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por sua vez, relata queda na produtividade de soja em praticamente todo o Brasil e estima produção nacional em 147,68 milhões de toneladas da oleaginosa na safra 2023/2024. Vale ressaltar que pode haver novos reajustes negativos, devido aos alagamentos no Rio Grande do Sul.
O Brasil colheu 95,6% da área da safra 2023/2024 até 12 de maio. No Rio Grande do Sul, restam 21% da área para ser colhida; em Santa Catarina, 8,4%; e, no Maranhão, 25%. Para a Argentina, o USDA estima produção de 50 milhões de toneladas de soja, em linha com a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, de 50,5 milhões de toneladas. A colheita de soja na Argentina alcançou 63,7% da área do país. Para a próxima temporada (2024/2025), a produção pode alcançar 51 milhões de toneladas, segundo o USDA. Vale observar que as importações da China devem passar de 105 milhões de toneladas de soja na temporada 2023/2024 para um novo recorde de 109 milhões de toneladas em 2024/2025. As importações da União Europeia devem permanecer em 14,3 milhões de toneladas. Quanto ao farelo de soja, a produção mundial é projetada em volume recorde de 271,3 milhões de toneladas na temporada 2024/2025, sendo 4,7% acima da safra 2023/2024 (258,9 milhões de toneladas).
As transações globais da safra 2024/2025 também apontam crescimento, estimadas em quantidade recorde de 74,5 milhões de toneladas. Deste volume, 36,6% devem ser de origem argentina e 27,5%, brasileira. Na safra 2023/2024, o USDA aponta que, das 71 milhões de toneladas de farelo de soja transacionada mundialmente, 34,4% referem-se aos embarques da Argentina e 29,7%, do Brasil. A importação de farelo de soja da União Europeia (principal importador global) deve passar de 15,8 milhões de toneladas na safra 2023/2024 para 16,2 milhões de toneladas na temporada 2024/2025. A produção global de óleo de soja é estimada em 65,4 milhões de toneladas na safra 2024/2025, 4,8% acima das 62,4 milhões de toneladas de 2023/2024. As exportações mundiais são projetadas em 12 milhões de toneladas, aumento de 5,7% sobre a safra anterior. A Índia segue como o principal país importador deste derivado. Quanto ao consumo mundial, 15,05 milhões de toneladas devem ser destinadas ao setor industrial e 49,42 milhões de toneladas, ao alimentício. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.