14/May/2024
A Be8, fabricante de biodiesel com sede no Rio Grande do Sul, tem 2027 como prazo estimado para começar a fabricar combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel verde, produtos considerados essenciais para o setor de transporte reduzir suas emissões de carbono em todo o mundo. A produção, porém, será no Paraguai, e não no Brasil. A empresa está investindo US$ 1 bilhão (o equivalente a cerca de R$ 5,1 bilhões) na usina, que será instalada em uma zona franca a cerca de 30 Km de Assunção, capital do Paraguai. A unidade será focada em exportação, e o local foi escolhido para recebê-la devido aos custos inferiores de mão de obra e energia, além da isenção de impostos. O SAF pode ser feito a partir de óleos vegetais e animais, como de dendê, milho ou soja.
A oferta de matéria-prima e a experiência com o etanol tornam o Brasil um dos países com maior potencial de explorar o produto. A falta de incentivo público e o atraso na criação de um arcabouço regulatório no País, no entanto, tem levado empresários a olharem para outros mercados. A oportunidade de suprir a demanda europeia e, eventualmente, a norte-americana por combustíveis do futuro está diante do Brasil e há um alinhamento entre empresários e governos em relação à direção a se seguir. A questão é o atraso do País para definir a regulamentação desses investimentos. A Granbio recebeu uma subvenção de US$ 80 milhões (R$ 410 milhões) do governo norte-americano para construir uma planta de demonstração de SAF no país.
A companhia está levantando outros US$ 150 milhões para desenvolver o projeto, que deve começar a operar em 2026. O subsídio é importante na fase pré-comercial, em que se testa a tecnologia. Hoje, até tem subsídios no Brasil, mas, quando a empresa começou o projeto, não havia um programa tão articulado no Brasil como nos Estados Unidos. O mais importante para desenvolver o setor, é um ambiente regulatório claro e o estabelecimento do preço de carbono. A Europa desenhou um programa de descarbonização há muito tempo. Isso é essencial para a transição energética. Se não se sabe quanto custará emitir (gases poluentes), não tem como desenvolver projetos. Nesse aspecto, não há no Brasil ainda um sistema maduro para atrair investimentos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.