13/May/2024
Antes de as enchentes causarem destruições no Rio Grande do Sul, agentes de mercado acreditavam que a maior produção de soja daquele Estado poderia compensar, ainda que em partes, a redução na colheita em regiões do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil, que, vale lembrar, foram atingidas por estiagem na safra 2023/2024. Agora, com muitas lavouras do Rio Grande do Sul prejudicadas pelo clima, a produção e a exportação de soja do estado devem cair, limitando, consequentemente, a disponibilidade nacional. E essas incertezas têm estimulado a comercialização envolvendo a soja no spot nacional. Os compradores domésticos têm interesse em garantir seus estoques, e, como a procura externa por soja e derivados está aquecida, se observa certa disputa entre demandantes brasileiros e estrangeiros. Como resultado, os preços estão em alta.
Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 3,2%, cotado a R$ 134,08 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 3,3% nos últimos sete dias, a R$ 129,29 por saca de 60 Kg. Ambos os Indicadores voltaram aos maiores patamares desde a primeira dezena de janeiro deste ano. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa apresentam alta de 3,5% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 4,3% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Quanto ao farelo de soja, a alta é mais expressiva, de 6,1% nos últimos sete dias. O óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) se mantém praticamente estável nos últimos sete dias, com média de R$ 4.928,13 por tonelada. A alta no preço do óleo foi interrompida pela menor demanda para a produção de biodiesel.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou, no dia 6 de maio, alteração temporária da mistura obrigatória do biodiesel ao óleo diesel, a qual foi aprovada em 2% para o Rio Grande do Sul, bem abaixo dos 14% vigentes para o restante do País. Essa redução deve ter durabilidade de 30 dias. O Rio Grande do Sul é o principal estado produtor de biodiesel do Brasil. Na Bolsa de Chicago, o contrato Julho/2024 da soja registra valorização de 0,8% nos últimos sete dias, indo para US$ 12,08 por bushel. A valorização do farelo de soja é de 2,2% nos últimos sete dias, a US$ 411,05 por tonelada. O contrato Julho/2024 do óleo de soja, por sua vez, tem recuo de 1,4% no período, a US$ 940,04 por tonelada. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), na parcial de 2024 (de janeiro a abril), o Brasil exportou 36,79 milhões de toneladas de soja, um recorde para o período e 10% superior ao volume escoado no mesmo comparativo do ano passado. A China foi destino de 70% da soja exportada pelo Brasil.
Especificamente em abril, as exportações da oleaginosa totalizaram 14,69 milhões de toneladas, o maior volume desde maio do ano passado, 16,4% acima do de março/2024 e 2,5% a mais que em abril/2023. O Porto de Santos (SP) é o principal canal de exportação de soja no País, correspondendo a 36% dos embarques da parcial deste ano, seguido por Paranaguá (PR), com 14%, e Belém (PA), com 12%. Vale ressaltar que, embora o volume de embarque esteja maior em 2024, o preço médio da soja, em Real, é o mais baixo desde 2020, com média de R$ 135,62 por saca de 60 Kg na parcial deste ano. Ressalta-se que a valorização do dólar frente ao Real em abril interrompeu o movimento baixista no último mês e limitou a queda na parcial do ano. Os embarques de farelo de soja também foram recordes nos quatro primeiros meses deste ano, somando 7,43 milhões de toneladas, 21,5% superior ao escoado no mesmo período de 2023. Em abril, saíram dos portos brasileiros 2,3 milhões de toneladas de farelo, recorde para o mês e a maior quantidade desde agosto/2023. A Indonésia e a Tailândia seguem como os principais destinos do derivado brasileiro.
Quanto ao óleo de soja, em abril deste ano, o Brasil exportou o maior volume do derivado desde agosto/2023, somando 139,5 mil toneladas, 11,5% acima da quantidade de março/2024. Porém, na parcial deste ano, os embarques totalizam 336,21 mil toneladas, 58,3% inferiores aos do mesmo período de 2023. A Índia foi o principal destino do óleo de soja do Brasil, correspondendo a 72%. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil colheu 94,3% da área da safra 2023/2024 até 5 de maio. Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, 47,8% da área havia sido colhida até o dia 8 de maio. Nos Estados Unidos, as recentes chuvas beneficiaram as áreas semeadas e incentivaram os sojicultores a avançarem com semeadura da safra 2024/2025. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que 25% da área destinada à oleaginosa havia sido semeada até 5 de maio, acima dos 21% cultivados na média dos últimos cinco anos. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.