09/May/2024
Os produtores de biodiesel veem com receio a eventual flexibilização da mistura do biodiesel ao diesel nos Estados, para além do Rio Grande do Sul. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) flexibilizou na segunda-feira (06/07) a mistura dos biocombustíveis na gasolina e no diesel no Rio Grande do Sul por 30 dias, devido à impossibilidade do transporte rodoviário e ferroviário no Estado afetado por fortes enchentes. Fontes da indústria relatam que distribuidoras de Santa Catarina, Paraná e São Paulo já sinalizam fazer pedidos semelhantes à agência reguladora. As estradas do interior já estão sendo recuperadas e reabertas. Fora isso, o óleo está com escoamento para outros Estados, com fluxo retomado. Distribuidoras, sobretudo as pequenas de bandeira branca (aquelas que não têm uma marca específica), viram brecha na flexibilização para reduzir a mistura, o que não condiz com a realidade.
A indústria mantém a ANP informada sobre o abastecimento do biocombustível às distribuidoras. A ANP reduziu para o Rio Grande do Sul a mistura de etanol anidro na gasolina dos 27% vigentes para 21%, enquanto o percentual obrigatório de biodiesel em óleo diesel S10 passou de 14% para apenas 2%. A medida foi considerada precipitada por alguns representantes da indústria, já que na ocasião ainda havia fluxo de transporte até a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, que produz diesel. Executivos do setor também questionam o baixo nível de estoque das distribuidoras. Talvez o nível de tancagem obrigatório tenha de ser revisto pela ANP, porque para etanol as distribuidoras informaram possuir capacidade de 21% de abastecimento. O waiver para biodiesel é muito baixo.
A Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio) está pedindo ao governo federal a revogação imediata da flexibilização da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel válida para o Rio Grande do Sul. A medida compromete a geração de renda no Estado em um momento delicado aos cofres estaduais, seja pela geração dos empregos, diretos e indiretos, bem como os impostos gerados pelas indústrias locais. A manifestação da FPBio vem após a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ter flexibilizado o percentual obrigatório de 14% para 2% do biodiesel ao óleo diesel S10 e S500 no Rio Grande do Sul por 30 dias, devido à impossibilidade do transporte rodoviário e ferroviário no Estado afetado por fortes enchentes.
A FPBio afirmou estar preocupada com a manutenção da medida. O ofício, foi encaminhado ao Ministério de Minas e Energia (MME), ao Ministério da Agricultura e à própria ANP. No documento, a FPBio alega que a indústria do Rio Grande do Sul de processamento de soja e produção de biodiesel opera em condições adversas, mas não deixou de disponibilizar farelo de soja, óleo de soja e biodiesel ao mercado consumidor. Atualmente, oito das nove unidades industriais produtoras de biodiesel (89%) encontram-se em plena operação. Em termos logísticos, os envios de biodiesel para outros Estados (SC, PR, SP) foram reportados dentro de relativa normalidade. A bancada do biodiesel afirmou ainda que foi retomado o envio de caminhões-tanque de biodiesel para as bases de distribuição de Canoas/Esteio, com origem em Passo Fundo transitando via Vacaria, Lages e Gravataí.
Isso revela, em conjunto com vistoria in loco na rodovia de acesso às bases de distribuição, que há viabilidade técnica para o fluxo logístico entre usinas de biodiesel e o principal polo consumidor do Estado, particularmente aquelas ao leste da BR116. Já se observa também o retorno do fluxo logístico de caminhões pesados entre o interior do Estado e o Porto de Rio Grande. Foram reportadas dezenas de cargas (mínimo de 50 carretas) de farelo de soja entre Ijuí e Rio Grande, via Alegrete. Também se retoma o fluxo entre Veranópolis e Passo Fundo para Rio Grande, via Santa Cruz do Sul/Canguçu. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.