06/May/2024
O excesso de chuva no Rio Grande do Sul (segundo maior Estado produtor de soja) tem deixado os agricultores preocupados. Na Argentina (principal exportador mundial de farelo), rumores de possível greve no país colocam demandantes globais de farelo de soja em alerta. Nesse cenário, observa-se crescimento nas procuras externa e interna pelo derivado brasileiro, contexto que eleva a liquidez e os preços. Os consumidores nacionais, que vinham adquirindo apenas pequenos lotes, estão mais interessados em comprar volumes maiores do farelo. Assim, os prêmios de exportação no Brasil subiram e se mantêm positivos. Vale ressaltar que, neste período do ano, é comum que os prêmios do derivado operem em patamares negativos, devido à entrada da safra na América do Sul. Com isso, o preço FOB do farelo de soja, no Porto de Paranaguá (PR), foi calculado em US$ 410,06 por tonelada, com alta de 4,7% nos últimos sete dias e o maior desde 2 de janeiro deste ano, período de baixa oferta do derivado no País.
No spot nacional, o preço do farelo de soja apresenta avanço 1,3% nos últimos sete dias. Entre as médias de março e abril, o aumento foi de 0,3%. Diante disso, tendo-se como base os valores da soja, do farelo e do óleo de soja no estado de São Paulo, a participação do farelo de soja na margem da indústria esmagadora foi calculada em 64,9%, a maior desde 28 de fevereiro deste ano. No entanto, a “crush margin” caiu 7,4% nos últimos sete dias, o que está relacionado à desvalorização do óleo de soja e à alta no valor da matéria-prima. Na Bolsa de Chicago, a valorização do farelo de soja é de 3,8% nos últimos sete dias, indo para US$ 393,63 por tonelada. Entre as médias de março e de abril, houve leve alta de 0,5%. A cotação do óleo de soja está pressionada pela menor demanda para a produção de biodiesel, sobretudo nos Estados Unidos, visto que as usinas daquele país vêm buscando alternativas mais baratas.
Na Bolsa de Chicago, o preço futuro deste subproduto registra expressiva queda 5% nos últimos sete dias, a US$ 938,50 por tonelada. Entre as médias de março e de abril, o recuo foi de 2,4%. Tomando-se como referência óleo de soja (posto na região de São Paulo com 12% de ICMS), a desvalorização é de 3,5% nos últimos sete dias, a R$ 4.929,48 por tonelada. Entre as médias de março e de abril, observa-se alta de 1,1%, impulsionada pela valorização dos prêmios de exportação no Brasil. Os preços da soja estão em alta no mercado brasileiro, influenciados pela valorização do farelo de soja. Além disso, as fortes chuvas no Rio Grande do Sul retardaram as atividades de campo e vêm gerando preocupações sobre a qualidade das lavouras. O excesso de umidade tente a elevar a acidez do óleo de soja, o que pode reduzir a oferta de boa qualidade deste subproduto, especialmente para a indústria alimentícia.
O Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá e a média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registraram em abril as maiores médias deste ano, em termos reais (calculado por meio do IGP-DI, de março/2024), de R$ 129,79 por saca de 60 Kg e de R$ 122,66 por saca de 60 Kg, respectivas altas de 4% e de 4,6% frente às médias de março. Nos últimos sete dias, especificamente, os avanços são de 1,4% e de 0,1% para os respectivos Indicadores. Na Bolsa de Chicago, contrato Maio/2024 registra valorização de 2,3% nos últimos sete dias, atingindo o maior valor desde 28 de março, de US$ 11,90 por bushel. Em abril, esse contrato registrou a menor média desde novembro/2020, em termos nominais. A queda externa se deve à valorização cambial em abril, que torna as commodities norte-americanas menos atrativas aos importadores.
O dólar subiu 3% frente ao Real entre março e abril, a R$ 5,12, a maior cotação desde março/2023. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil colheu 90,5% da área da safra 2023/2024. A Região Sul é a mais atrasada. Em Santa Catarina, a colheita alcançou 57,6% da área, abaixo dos 82,8% há um ano. No Rio Grande do Sul, as atividades somam 60%, contra 70% no mesmo período de 2023. A Emater-RS, por sua vez, indica que 76% da área do Rio Grande do Sul havia sido colhida até o dia 2 de maio, inferior aos 83% na média dos últimos cinco anos. Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, 36,2% da área havia sido colhida até o dia 1º de maio. Os Estados Unidos seguem avançando com a semeadura da safra 2024/2025. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 18% da área destinada à oleaginosa havia sido semeada até 28 de abril, acima dos 10% cultivados na média dos últimos cinco anos. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.