03/May/2024
Segundo a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), as fortes chuvas no Rio Grande do Sul já afetam a produção agrícola do Estado, sobretudo áreas de arroz e de soja. O que está no campo foi impactado. A situação da oleaginosa é a que mais preocupa, pois há muitas lavouras debaixo d'água, que certamente terão a produtividade comprometida. A soja tem um limite de umidade para aguentar. Com muita água, os grãos vão dilatar, é preciso de sol. Ainda há cerca de 40% a oleaginosa a ser colhida. No caso do arroz, entre 20 e 30% das lavouras ainda se desenvolvem. O governador do Estado, Eduardo Leite (PSDB), declarou estado de calamidade pública após 134 municípios terem sido afetados. A situação na região central é muito preocupante. Cidades como Santa Maria, Candelária e Lageado foram fortemente afetadas. Também há sérios impactos na região das Missões.
Há relatos até mesmo de colheitadeiras boiando e de silos inundados. Os produtores não esperavam uma safra recorde de soja, pois a produtividade foi afetada pela estiagem em janeiro e fevereiro, mas esta seria uma safra superior à dos últimos anos, quando a seca reduziu significativamente a produção. A situação também preocupa na metade sul do Estado. Na região de Bagé, 70% da soja ainda não foi retirada do campo. Em relação ao arroz, a situação é menos preocupante, pois a lavoura do cereal é irrigada e por isso mais resistente a inundações. A logística também foi fortemente comprometida. Com estradas obstruídas por barreiras e pontes que caíram, a distribuição de bens de consumo, combustíveis e a entrega de gêneros alimentícios já está afetada. Na região Serra, municípios como Caxias do Sul e Banto Gonçalves, importantes polos de produção de hortifrutis, também foram atingidos.
Além disso, também haverá interrupção dos carregamentos de soja. Contratos negociados para serem entregues em junho ou julho já estão sendo renegociados para serem entregues em agosto. Todos esses efeitos pegam os produtores em um momento em que estão bastante descapitalizados. Houve problemas com o trigo, com perda de cerca de 30 milhões de toneladas de grãos devido à seca na última safra. As duas últimas colheitas foram ruins. Esse é um golpe muito grande, há receio de falta de recursos para saldar compromissos já assumidos. A Farsul vai acompanhar e avaliar os acontecimentos dos próximos dias antes de anunciar medidas de apoio aos produtores. O Manual de Crédito Agrícola (MCR) prevê esse tipo de situação, mas ainda é muito cedo para ter uma dimensão dos prejuízos e anunciar qualquer medida.
A Emater-RS, responsável pelo acompanhamento da produção agrícola do Estado, ainda está levantando informações sobre os prejuízos. O Sistema de Registro de Perdas (Sisperdas) está aberto para que sejam lançadas as informações. Os dados serão divulgados pelo governo do Estado. No momento, as equipes da Emater estão trabalhando no atendimento e apoio às famílias e comunidades atingidas, com atenção para o deslocamento de pessoas desabrigadas ou na iminência de perderem suas casas. Segundo dados mais atualizados da Emater, divulgados no dia 25 de abril, a colheita de soja atingia 66% da área plantada no Rio Grande do Sul, com 28% das plantas em estágio de maturação e 6% em enchimento de grãos. As chuvas da semana passada já tinham reduzido o ritmo dos trabalhos de campo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.