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25/Apr/2024

Aprosoja Brasil: as prioridades do novo presidente

O novo presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Maurício Buffon, tem pelo menos duas prioridades para os próximos meses: apoiar o produtor a renegociar suas dívidas e buscar no Plano Safra 2024/2025, a ser anunciado até o fim de junho, mais crédito a juros menores. A interlocução com o governo federal, independentemente do partido ou posição ideológica, também estará no foco. A entidade estará em todas as mesas de negociação para as quais for convidada. Produtor rural, natural de Ronda Alta (RS) e radicado em Tocantins desde 2009, onde presidia a Aprosoja Tocantins, Buffon vai suceder na Aprosoja Brasil, Antonio Galvan, pelos próximos três anos.

Buffon assume a Aprosoja Brasil em um dos momentos mais delicados para o setor, decorrente da quebra na produção e do aumento do endividamento, que gerou pedidos de recuperação judicial. A maioria dos Estados teve problemas de safra, o produtor está sempre muito exposto ao risco e o Brasil não tem um seguro que dê tranquilidade como nos Estados Unidos e na Europa. Será preciso buscar ajuda. O Brasil não consegue implantar um seguro bem-feito. Se tivesse um seguro agrícola bem postado, teria uma oferta de crédito melhor, com taxas mais baratas e sem necessidade de intervenção do governo.

O envolvimento das entidades de classe e dos diversos atores do governo na construção de um seguro rural eficiente tornaria o juro mais barato e seria uma garantia para quem vai investir no agro. Ele espera ter uma boa interlocução com o Ministério da Agricultura, além das casas legislativas. O que o setor precisa e, principalmente, quem investe no setor, é garantia de recebimento. A discussão mais emergencial é obter do governo federal uma instrução normativa para a renegociação das dívidas que contemple o setor produtivo da soja nos Estados das Regiões Norte e Nordeste, que também tiveram problemas.

A expectativa é de que o Plano Safra 2024/2025 traga uma oferta de crédito capaz de diminuir os impactos causados pela quebra na safra 2023/2024. A entidade já está negociando, fazendo alguns pedidos para o governo, principalmente em relação ao volume de recursos e a redução de taxa de juros. O setor não aguenta mais pagar as taxas de juros cobradas para custear a produção. O Plano Safra precisa trazer essa redução para que a atividade possa ser sustentável. Se o produtor não conseguir uma renegociação, acaba ficando de fora e não pode acessar os recursos. A melhor oferta de crédito permitiria ampliar a infraestrutura de armazenamento e diminuiria a pressão logística.

Se houvesse armazenagem dentro do País, teria um mercado regulatório de produto capaz de regular os preços, evitando oscilações. A maior oferta de armazenagem também tiraria a pressão da logística; a armazenagem resolve muitas coisas do setor. Para a safra 2024/2025, a ser semeada a partir de agosto, o novo presidente da Aprosoja vê preocupação no setor produtivo. O clima e o investimento em tecnologia vão definir a próxima safra, mas o produtor está muito tímido. O investimento é alto devido ao custo de produção. Com essa questão do endividamento, ainda há um ponto de interrogação do tamanho da safra. É preciso ter um pouco de cautela. O produtor sempre quer produzir mais, mas isso tem custo. A boa rentabilidade vai depender realmente do crédito. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.