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22/Apr/2024

Tendência é altista para os preços da soja no Brasil

A tendência é altista para os preços da soja no mercado interno entre abril e novembro deste ano, com a elevação gradual dos prêmios nos portos brasileiros nos próximos meses e a alta do dólar. Os prêmios estão positivos para embarques entre maio e novembro, cotados a +US$ 0,10/bushel para maio/2024, +US$ 0,15/bushel para junho/2024, +US$ 0,15/bushel para julho/2024, +US$ 0,20/bushel para agosto/2024, +US$ 0,35/bushel para setembro/2024 e US$ 0,40/bushel para novembro/2024. Além disso, acumulou alta na última semana. O dólar fechou a sexta-feira (19/04) a R$ 5,19, em baixa de 0,99%. Na semana passada, porém, a moeda ainda acumulou alta de 1,52%. À medida que o susto com o ataque israelense diminuía o dólar foi perdendo força em todo o mundo, incluindo no Brasil. No longo prazo, entretanto, a tendência segue baixista para os preços globais, com expansão da área plantada nos EUA em 2024/2025 e aumento dos estoques globais. As cotações futuras para 2025 oscilam entre US$ 11,45 e US$ 11,85 por bushel. Além disso, os prêmios estão negativos nos portos brasileiros entre janeiro e agosto de 2025.

No mercado interno, a recente valorização do dólar frente ao Real, que torna a soja brasileira mais atrativa a demandantes externos, tem elevado os preços domésticos da oleaginosa e aquecido a liquidez. Por outro lado, as fortes desvalorizações dos contratos futuros negociados nos Estados Unidos limitam a alta nas cotações internas. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta avanço de 1,4%, cotado a R$ 127,45 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra alta de 2,1% nos últimos sete dias, a R$ 123,65 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa registram elevações de 2,6% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 2,7% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Além disso, os prêmios de exportação se sustentam em patamares positivos.

O embarque em maio/2024 tem oferta de venda a +US$ 0,10 centavos por bushel, enquanto, no dia 28 de março, o mesmo embarque estava negativo, ofertado a -US$ 0,15 por bushel. Nos Estados Unidos, os valores são pressionados pelo ritmo da semeadura da soja mais adiantado e pela maior disponibilidade brasileira por conta do avanço da colheita. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontaram que, até o dia 14 de abril, a semeadura no país norte-americano somava 3% da área prevista, o mesmo percentual registrado em 2023, e acima do 1% cultivado na média dos últimos cinco anos. Agora, os produtores do Meio Oeste dos Estados Unidos estão atentos ao retorno das chuvas, que podem auxiliar as lavouras. Na Bolsa de Chicago, o vencimento Maio/2924 da oleaginosa registra desvalorização de 2,2% nos últimos sete dias, a US$ 11,34 por bushel. Apesar da recente valorização da matéria-prima, as negociações envolvendo óleo e farelo de soja seguem lentas, com consumidores cautelosos nas aquisições. O preço do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) apresentam baixa de 0,2% nos últimos sete dias, a R$ 5.135,59 por tonelada.

Nos Estados Unidos, o contrato Maio/2024 deste derivado tem queda de 4,1% no mesmo período, a US$ 972,67 por tonelada. Para o farelo, os valores estão em alta. O impulso vem do avanço externo, que, por sua vez, é influenciado pela maior demanda e pela valorização da soja no mercado brasileiro. O vencimento Maio/2024 acumula alta de 0,7% nos últimos em sete dias, a US$ 372,58 por tonelada. A colheita de soja no Brasil se aproxima da reta final, apesar da redução do ritmo dos trabalhos de campo com chuvas registradas nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste do País. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 83,2% da área cultivada com oleaginosa no Brasil havia sido colhida até o dia 14 de abril. Dentre os Estados, 98,6% da área de Mato Grosso havia sido colhida; 87% de Goiás; 98% de Mato Grosso do Sul; 87% de Minas Gerais; 97% do Paraná; 49,5% de Santa Catarina; 90% do Tocantins; 54% do Maranhão; 75% da Bahia; 76% do Piauí; e 38% do Rio Grande do Sul. Dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que a colheita de soja alcançou 99,95% da área em Mato Grosso.

Em Mato Grosso do Sul, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) indica que a área colhida até o dia 12 de abril somava 96,4%. Neste Estado, apesar de uma área 6,5% maior que a temporada anterior, a queda de 19% da produtividade pode resultar em produção de 12,92 milhões de toneladas, 14% abaixo da de 2022/2023. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) aponta que a colheita chegou 98% da área estadual até o dia 15 de abril. No Rio Grande do Sul, a Emater-RS apontou avanço de 10% na colheita, chegando, até o dia 18 de abril, a 49% da área estadual. Os produtores do Rio Grande do Sul estão receosos com previsões indicando chuvas, tendo em vista que excesso de umidade pode atrasar os trabalhos de campo e reduzir a produtividade. Na Argentina, os trabalhos de campo estão atrasados frente ao ano anterior, devido a precipitações. Conforme a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, da área semeada, apenas 13,9% haviam sido colhidas até a o dia 18 de abril, avanço de 3,2% em uma semana. A estimativa de produção segue em 51 milhões de toneladas de soja. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.