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19/Apr/2024

Fundamentos do mercado de soja seguem baixistas

As cotações da soja começaram 2024 dando continuidade à tendência de baixa, em meio a um contexto de balanço mundial mais folgado, com a produção superando o consumo. Mesmo com os fundos especulativos estando muito vendidos, o que abre espaço para ajustes com a cobertura dessas posições, os fundamentos continuam sem grandes mudanças. Desde o começo do ano, até a metade de abril, o contrato contínuo da soja na CBOT registrou baixa de 10,4%. A safra brasileira 2023/2024 caminha para um resultado ao redor de 150 milhões de toneladas, segundo estimativas da StoneX, mas, mesmo com a colheita avançada, as divergências entre os vários números do mercado permanecem. Enquanto a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção em 146,5 milhões de toneladas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manteve suas perspectivas em 155 milhões de toneladas.

Para a Argentina, ainda se espera uma ampla recuperação neste ciclo 2023/2024, após a safra 2022/2023 ter sido amplamente afetada pelo La Niña. A última estimativa de safra da Bolsa de Buenos Aires foi revisada para baixo, mas ainda traz uma produção de 51 milhões de toneladas. Com isso, pelo menos por enquanto, a oferta da América do Sul tende a ser bastante confortável, com o crescimento anual da safra argentina mais que compensando as perdas ocorridas no Brasil. Pelo lado da demanda, as preocupações com o ritmo do consumo mundial, especialmente o chinês, também se mantêm como um fator a pesar sobre os preços, uma vez que a demanda global pós-pandemia continua avançando, mas a um ritmo mais lento. Há algumas divergências sobre os números de importação da China, com o USDA mais otimista que os dados alfandegários oficiais. No entanto, o país asiático tem dado sinais de um consumo mais brando.

As compras chinesas de soja norte-americana 2023/2024 estão mais fracas, visto que o maior importador mundial recompôs seus estoques, aproveitando-se da produção brasileira recorde no ano passado. Outro ponto que deve continuar limitando as exportações norte-americanas, mesmo com as perdas de safra por aqui, é a maior competitividade da soja brasileira, o que tende a favorecer a procura chinesa pelo produto nacional. Em relação ao consumo doméstico brasileiro, as perspectivas se mantêm positivas, dado que a mistura de biodiesel subiu 2%, para 14%, desde o início de março, o que é benéfico para o esmagamento e que deve limitar as exportações de óleo de soja. Nos Estados Unidos, a demanda interna está no radar, diante de um esmagamento aquecido, mas de alguma piora no cenário para o diesel renovável, influenciada pelos RINs D4 (Renewable Identification Numbers). Esses créditos, emitidos e comercializados pelos produtores de biocombustíveis, permanecem ainda bastante desvalorizados, o que seria um desestímulo para o setor.

Já na Argentina, com a colheita de uma safra robusta, espera-se uma recuperação do esmagamento, com o país processando a maior parte da oleaginosa e exportando farelo e óleo, elevando a competição no mercado dos derivados. Quanto à oferta, o foco deve mudar para os Estados Unidos, com o plantio da safra 2024/2025 do país já em andamento. O dado de intenções de plantio, divulgado pelo USDA no dia 28 de março, indica que a área plantada de soja vai crescer de 33,8 milhões de hectares, para 35 milhões, situação que, considerando uma produtividade dentro do normal, tenderia a resultar em um balanço de oferta e demanda mais folgado para o país. Desde o ano passado, apesar de tanto a soja quanto o milho terem apresentado tendência de preços em queda, a soja registrava recuos proporcionalmente menores que o cereal, o que alimentou as perspectivas de crescimento de área nos Estados Unidos.

Ainda que essa “vantagem” tenha diminuído recentemente, as apostas continuam sendo de crescimento da área plantada norte-americana, pelo menos por enquanto. Mesmo assim, é importante destacar que mudanças ainda podem ocorrer, e que o número de área será revisado e divulgado novamente pelo USDA no final de junho. Dessa forma, nos próximos meses, o clima tem o potencial de afetar o resultado da safra dos Estados Unidos, movimentando as cotações da oleaginosa, assim como a demanda, com o comportamento da China continuando a ter um peso muito grande, devido ao tamanho das suas importações. Considerando os dois lados da balança, problemas pelo lado da oferta têm o poder de alterar o equilíbrio mundial mais bruscamente, já que as questões meteorológicas não podem ser plenamente antecipadas e contornadas. Fonte: Ana Luiza Lodi. Broadcast Agro.