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11/Apr/2024

Preços da soja não deverão subir no 1º semestre

Segundo a MBAgro Consultoria, os preços da soja não devem se recuperar ao longo deste semestre, em função de fatores macroeconômicos como taxa de juros, inflação e taxa de desemprego nos Estados Unidos. Em relação ao Brasil, a situação atual da safra, com quebra principalmente na Região Centro-Oeste e queda nos preços, configura um cenário totalmente atípico, especialmente em Mato Grosso. Dado o gigantismo do Estado, os preços da soja deveriam refletir as perdas da safra. Não parece factível combinar perda de safra com queda de preços. O cenário macroeconômico nos Estados Unidos, no entanto, possibilitou que isso acontecesse. Desde o ano passado, os fundos de investimentos começaram a desmontar as ofertas, com posição vendida muito forte nos mercados de soja, milho e trigo. Com as altas taxas de juros, especialmente nos Estados Unidos, os fundos não querem carregar estoques.

Esse comportamento faz com que os fundos operem com estoques muito baixos. A tendência é de que, em algum momento, voltem a estocar. A mudança na posição pode acontecer com a redução da inflação nos Estados Unidos, que tende a derrubar os juros a partir do segundo semestre. Hoje, a variável macroeconômica mais importante para acompanhar é o que está acontecendo com emprego e inflação nos Estados Unidos. No momento, o desemprego no país é muito baixo, o que tende a elevar a inflação. O "remédio" para isso é o controle da taxa de juros. A redução na taxa de juros pode fazer com que quem tem estoques baixos volte a comprar. Outro fundamento capaz de manter os preços nos patamares atuais é de que não há no horizonte indicação de quebra para a safra de soja norte-americana. Os fundos estão vendo isso. Não quer dizer que não vai quebrar, mas hoje não há qualquer elemento que demonstre que isso pode acontecer.

Ressalta-se o papel do Brasil como formador de preços. Os produtores brasileiros ainda não são capazes de fazer as contas do custo de carregar estoques. Eles veem que não compensa e acham melhor vender o produto e aplicar o dinheiro do que estocar e esperar por uma recuperação. Mas, é importante destacar a capacidade produtiva elevada e confiável da produção do País. O Brasil pode produzir 170 milhões de toneladas, a estabilidade de oferta é absurda, se houver estímulo de preços, será plantado onde for necessário. Com os problemas deste ano, a MB Agro estima que a safra de soja 2023/2024 termine com produção de 155 milhões de toneladas. Mas, para o próximo ciclo, com a perspectiva de ocorrência do fenômeno climático La Niña no segundo semestre, quando ocorre o plantio, a tendência é de uma produção maior e sem redução de área. Não haverá queda na área plantada. Isso nunca aconteceu. Pode até dar uma encolhida, mas não o suficiente para mudar os fundamentos do mercado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.