09/Apr/2024
Início de segundo trimestre e uma nova fase iniciando. E aqui é necessária uma análise mais profunda sobre o que foi processado nos últimos meses. Para alguns, olhar para trás é acompanhar o mercado pelo para-brisa. Para mim, a análise do comportamento e fundamentos ocorridos contribui para construir cenários e possibilidades que estão pela frente. Recentemente, observamos um cenário intrigante e multifacetado que merece atenção: apesar das preocupações crescentes em relação à quebra de safra no Brasil, um dos principais produtores mundiais, testemunhamos uma tendência contraditória. Fundos de investimentos montaram posições de venda em larga escala ao final de 2023, pressionando os preços da soja para o patamar de US$ 11,20 por bushel. Entre atrasos de comunicação de seca e perdas, fundos construíram a posição na virada do ano que lhes interessava: monetizar, rentabilizar. Dê o nome que você quiser, mas o fato é este.
A carteira estava montada. A aposta estava feita: o quadro de oferta da safra sul-americana era confortável, pois a Argentina supriria as quebras do Brasil. No entanto, no final do primeiro trimestre de 2024, algo surpreendente aconteceu: esses mesmos fundos em um movimento técnico chamado de cobertura de vendidos ou short covering, promoveram lucros massivos, direcionando a cotação da soja para patamares de US$ 12,20 por bushel novamente e imediatamente reposicionaram a oleaginosa aos US$ 11,80 por bushel, abaixo dos US$ 12,00 por bushel, região considerada não apenas resistência técnica, mas psicológica neste momento. Esta manobra financeira, evidenciada pela volatilidade nos preços, é inerente aos mercados financeiros e o agro está inserido neste contexto. Mas daqui para frente, neste início de segundo trimestre, o que o financeiro com seus fundos de investimento e investidores diários que proporcionam liquidez aos mercados globalmente e estão disciplinados e concentrados arbitrando movimentos técnicos durante os pregões intradays devem focar?
Dentro da máxima que diz que o mercado é soberano mais do que qualquer outro período do ano, os fundamentos naturais do agro passam a ser gradativamente observados pelos participantes do mercado. O palco deste interesse tem nome e sobrenome: temporada norte-americana. Com o início desta janela, os olhos do mercado se abrem para a fala das famílias produtoras nos Estados Unidos. Quanto plantarão de soja, de milho, se habilitarão áreas no programa de conservação de áreas, como será o ritmo dos trabalhos, como será o fluxo das chuvas? O olhar dos investidores é sempre muito curioso no que acontece no Meio Oeste e este ano, mesmo com uma intenção de plantio maior para soja, há que se considerar o desconforto para os fundos de investimento que construíram e carregam uma carteira vendida com soja: o mapa drought monitor reporta condições de solo secas em diversos estados produtores, inclusive em Iowa, maior estado produtor de milho e segundo maior de soja.
Além deste cenário de seca em diversos estados, especulações crescentes sobre a entrada da La Nina acentuam o incômodo dos fundos. Enquanto isso, neste início de abril, mesmo com preços da soja abaixo dos 12,00 por bushel na Bolsa de Chicago, a competitividade da soja brasileira vem permitindo um maior fluxo de comercialização e algumas origens aproveitaram oportunidades que surgiram. Os prêmios registraram nova escalada de valorização, o que, combinado com o dólar mais forte, garantiu uma nova onda de negócios pelas praças. Nos vemos em maio e, se nenhum outro assunto for mais relevante, vamos trazer atualizações sobre o plantio no Meio Oeste norte-americano. Fonte: Andrea Cordeiro. Broadcast Agro.