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04/Apr/2024

Tendência é de queda nos preços globais da soja

A Céleres avalia ser baixa a possibilidade de os preços da soja na Bolsa de Chicago superarem os US$ 13,00 por bushel. Os níveis atuais, ao redor de US$ 12,00 por bushel, se situam próximo da média dos últimos 10 anos e uma safra sem problemas climáticos nos Estados Unidos tem potencial de pressionar as cotações abaixo de US$ 11,00 por bushel no decorrer de 2024. Para o produtor brasileiro, olhando para os fundos de O&D (oferta e demanda) no Brasil e Estados Unidos, não parece haver fundamentos altistas para o preço da soja no segundo semestre de 2024, a não ser a própria sazonalidade de preços, característica da entressafra no País. Por conta disso, a estratégia de reter soja para 2º semestre continua com baixa probabilidade de oferecer retornos muito altos, dada a improbabilidade de alta relevante nos preços no mercado global diante do aumento de área nos Estados Unidos e os altos custos de retenção (armazenamento, quebra técnica e custo de oportunidade).

A safra da oleaginosa 2024/2025 nos Estados Unidos tende a crescer 1,2 milhão de hectares em área plantada ante a safra 2023/2024, com uma produção esperada de 118,9 milhões de toneladas, 5,5 milhões a mais do que o ano anterior. Esse aumento de área é explicado pela melhor rentabilidade da oleaginosa frente outras opções, inclusive o milho. Se não houver problemas de produtividade, os níveis de estoques estimados para 2024/2025 (ao redor de 9 milhões de toneladas) geram uma relação estoque/consumo de 8%, maior nível desde 2019/2020 e sustentam uma visão de neutra a baixista para os preços na Bolsa de Chicago. Conforme a análise, parte do excedente de produção deve se direcionar para a exportação da soja, cobrindo a menor exportação feita pelo Brasil devido à quebra de safra em 2024. Com o crescimento de área de soja nos Estados Unidos, a área do milho deve cair no país. A previsão é de redução de aproximadamente 2 milhões de hectares na área em 2024/2025, o que deverá resultar em uma queda de 16,6 milhões de toneladas na produção do cereal.

O principal motivo para redução de área plantada está no forte crescimento dos estoques internos nos Estados Unidos 2023/2024 (ao redor de 15%) e forte queda dos preços globais desde meados de 2023. No tocante à demanda, o crescimento do rebanho e o consumo de etanol de milho nos Estados Unidos devem limitar o excedente interno do cereal no próximo ciclo. No entanto, mesmo com a redução esperada para oferta local, os estoques finais de 2024/2025 ficariam acima de 50 milhões de toneladas, o maior valor desde 2019/2020, e a relação estoque/consumo levemente inferior ao observado na temporada anterior. O cenário de excedente ainda elevado pode pesar sobre as cotações internacionais do cereal ao longo do próximo semestre. Assim, a probabilidade de os preços de milho ficarem acima de US$ 6,00 por bushel é de apenas 14%. Quanto ao Brasil, o cenário de preços de milho ainda depende da consolidação do potencial da 2ª safra de 2024 nos próximos 45-60 dias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.