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04/Apr/2024

Grãos: expectativa de preços baixos em 2024/2025

O Citi tem perspectiva de neutra a baixista para os preços dos grãos no mundo em 2024/2025. Os prêmios de risco geopolítico diminuíram, apesar do conflito militar persistente na região do Mar Negro. Os custos de envio e uma possível diminuição na área plantada dos Estados Unidos parecem insuficientes para compensar o iminente excesso de estoque de soja e milho em 2024/2025. Salvo um choque climático adverso, o complexo de grãos básicos será revertido para o regime de ‘preço baixo e volume baixo’ que se manteve durante um período de meia década antes da Covid-19. Outros fatores que devem pesar sobre os preços são uma queda de 50% a 60% nos custos dos principais fertilizantes que compõem o complexo NPK desde 2022/2023 e o aumento na produção da Argentina compensando a quebra da safra brasileira.

Em relação à demanda, houve queda nas importações chinesas em relação a 2020/2021, com diminuição no esmagamento doméstico. Mesmo o crescimento de 3% a 4% das importações em 2024/2025 deverá ser absorvido pela produção dos Estados Unidos, Brasil e Argentina. Uma recessão econômica em mercados desenvolvidos no segundo semestre de 2024 pode adicionar um risco no consumo das safras novas e antigas, sendo os preços da soja mais sensíveis do que os dos cereais, especialmente do trigo. Quanto ao clima, a previsão é de que o El Niño continue diminuindo a sua intensidade em abril, alcançando condição neutra até junho. O La Niña tem 62% de chance de começar entre junho e agosto, 73% de julho a setembro e 80% nos meses seguintes. O fim do El Niño é visto como positivo para o agronegócio brasileiro, pois deverá normalizar as chuvas nas Regiões Centro-Oeste/Matopiba, o que poderá trazer aumento de produtividade para a próxima safra.

Para a soja especificamente, o Citi prevê preços pressionados pela maior área plantada nos Estados Unidos, pela fraca demanda chinesa e pelas exportações estáveis da América do Sul. A projeção para a safra brasileira neste ano é de 148 milhões de toneladas, acima das 147 milhões de toneladas projetadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mas abaixo das 153 milhões de toneladas esperadas pela consultoria Agroconsult. Em relação à colheita de soja 2023/2024, observa-se uma redução de ritmo nas últimas semanas, e o ritmo de comercialização de soja está abaixo da média e da temporada anterior. Uma menor colheita brasileira em 2023/2024 pode impulsionar a rotação de culturas nos Estados Unidos, caso sintam que há procura da Ásia.

No caso do milho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) pode estar superestimando a produção brasileira entre 10 e 12 milhões de toneladas frente a projeção da Conab, de 113 milhões de toneladas ante 137 milhões de toneladas em 2022/2023. A Argentina deve produzir 55 milhões de toneladas, compensando em parte o que o Brasil deixar de ofertar. O clima tem sido promissor no final do ciclo de crescimento e os fluxos comerciais parecem favoráveis para que os agricultores da Argentina retornem ao mercado de exportação. Com isso, a expectativa é de que as exportações argentinas cheguem em 20 milhões de toneladas ante 12 milhões de toneladas em 2022/2023, quando o país produziu entre 42 e 43 milhões de toneladas do cereal. Para a produção do Brasil, o Citi projeta 114,9 milhões de toneladas em 2023/2024. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.