01/Apr/2024
Os preços do óleo de soja estão em alta no mercado brasileiro, impulsionados pela maior demanda doméstica, sobretudo por parte de indústrias do setor alimentício. Representantes destas fábricas pretendem garantir volumes para médio prazo, atentos às expectativas de aumento na produção de biodiesel no Brasil. Ressalta-se que o óleo de soja é a principal matéria-prima na produção de biodiesel no País, representando cerca de 70% do total. Atualmente, a mistura do biodiesel ao óleo diesel é de 14% (B14) no Brasil, mas há um projeto para que chegue a 25%. O preço do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) registra avanço de 0,9% nos últimos sete dias, a R$ 5.192,41 por tonelada. A média de março foi de R$ 5,093,03 por tonelada, sendo 6,2% acima da de fevereiro/2024, mas 16,8% abaixo da de fevereiro/2023. Por outro lado, os preços do farelo de soja estão em queda. Para suprir a maior demanda por óleo, o volume de soja esmagado deve crescer, gerando, consequentemente, excedente de oferta de farelo, em um contexto em que a recuperação na oferta da Argentina deve limitar as exportações brasileiras deste derivado.
No mercado interno, os consumidores nacionais vêm comprando apenas pequenos volumes de farelo, na expectativa de melhores oportunidade de negociações nas próximas semanas. Os preços do farelo de soja registram recuo de 1,4% nos últimos sete dias e de 5,2% de fevereiro para março. Em um ano, a média registra queda de 27,8%. Com base nos preços da soja, do óleo e do farelo negociados no estado de São Paulo, o “crush margin” das indústrias brasileiras aumentou em 2,75% entre 21 e 27 de março, calculado em R$ 435,22 por tonelada. Os preços da soja estão praticamente estáveis no mercado brasileiro, devido à disparidade entre as ofertas de compra e de venda. De um lado, os produtores estão afastados, apostando em altas nos próximos dias, tendo como fundamento as diferentes produtividades da safra 2023/2024 no Brasil. De outro, atentos à possível maior oferta global, os compradores adquirem lotes apenas para consumo imediato, sem interesse em negociações envolvendo grandes quantidades.
Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta leve recuo de 0,8%, cotado a R$ 123,75 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra pequena queda de 0,2% nos últimos sete dias, a R$ 120,13 por saca de 60 Kg. Já de fevereiro para março, observam-se altas, de 3,5% e de 4,7% para os respectivos Indicadores. Nos últimos sete dias, os preços apresentam alta de 0,3% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,2% no mercado de lotes (negociações entre empresas). No comparativo entre fevereiro e março, as valorizações foram de 3% e de 4%, respectivamente. A colheita de soja avançou na última semana, mas previsões indicando chuvas em várias regiões do Brasil podem interromper as atividades nos próximos dias. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foram colhidos 66,3% da área nacional até o dia 24 de março, contra 69,1% há um ano.
Dentre as regiões, a colheita soma 95,5% em Mato Grosso, abaixo dos 99,2% no mesmo período de 2023. Em Mato Grosso do Sul, as atividades alcançam 90% da área cultivada, igual ao mesmo período do ano passado. Em Goiás, somam 75% da área, abaixo dos 86% colhidos no mesmo período do ano passado. A colheita em São Paulo alcançou 88% na semana passada, acima dos 85% colhidos há um ano. Em Minas Gerais, 60% da área havia sido colhida até o dia 24 de março, inferior aos 73% no mesmo período de 2023. Os produtores do Paraná já colheram 80% da área cultivada com soja, acima dos 65% há um ano. Em Santa Catarina, 29% da área foi colhida, também acima dos 10% em igual período de 2023. E, no Rio Grande do Sul, a colheita alcançou 3% até o dia 24 de março, abaixo dos 5% um ano atrás. Na Bahia, a baixa umidade permitiu avanço de 10% na última semana, com 40% da área colhida, embora ainda abaixo dos 48% em igual período de 2023. No Piauí, a colheita alcançou 24% da área, contra 50% há um ano. No Maranhão, 38% da área de soja foi colhida, até 24 de março, contra 56% no mesmo período do ano passado.
Em Tocantins, 65% da área foi colhida, abaixo dos 85% de um ano atrás. Os contratos futuros do complexo soja estão pressionados na Bolsa de Chicago, devido ao início da colheita da safra 2023/2024 na Argentina e às expectativas de aumento de área com soja na temporada 2024/2025 nos Estados Unidos, de acordo com o relatório com projeções de área e de estoque trimestral do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado na quinta-feira (28/03). A queda está atrelada, também, à demanda externa enfraquecida pela oleaginosa dos Estados Unidos. Assim, o contrato Maio/2024 da soja registra desvalorização de 1,6% nos últimos sete dias, a US$ 11,92 por bushel. Os contratos com vencimento em maio/2024 do farelo de soja e do óleo têm baixa de 1,5% e 2,3% no mesmo período, com respectivos fechamentos de US$ 373,68 por tonelada e de US$ 1.050,93 por tonelada. De fevereiro para março, no entanto, os contratos futuros da soja e do óleo de soja registraram avanços, de 0,8% e 3,3%, nesta ordem, o que se deve à firme demanda pelo derivado nos Estados Unidos. Já os preços futuros do farelo de soja recuaram 2,2%. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.