28/Mar/2024
De acordo com dados coletados pelo Rally da Safra, expedição realizada pela Agroconsult que percorre as principais regiões produtoras do País, a produção de soja 2023/2024 do Brasil será de 156,5 milhões de toneladas. A nova estimativa é 2,9% superior à divulgada em fevereiro. O aumento se deve principalmente à melhoria da produtividade em áreas do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e do Rio Grande do Sul. Na média, a produtividade da soja no País será de 56,2 sacas de 60 Kg por hectare, 6,5% abaixo do ciclo anterior. Neste ano, a Agroconsult passa a contar com dados próprios de área plantada. A estimativa da consultoria é de que a cultura da soja em 2023/2024 alcance 46,4 milhões de hectares no Brasil. O ano passado foi o mais difícil da série histórica da expedição, que completa 21 anos. Irregularidades climáticas trazidas por El Niño já eram esperadas, mas superaram as expectativas. O fenômeno climático é caracterizado por diminuir as chuvas na Região Nordeste e aumentar as precipitações na Região Sul do País.
Este ano, os problemas mudaram de endereço, chegando à Região Centro-Oeste. Tradicionalmente, a região é mais neutra em ano de El Niño. O El Niño provocou perdas na produtividade de soja em todo o Brasil. Quanto mais precoce a semeadura, mais afetada foi a lavoura. No caso dos Estados da Região Nordeste, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, regiões com plantio tardio, a cultura teve bom desenvolvimento. Na Bahia, por exemplo, o rendimento caiu 4,8%, para 63,8 sacas de 60 Kg por hectare, ainda assim o melhor resultado do País. Será mais um ano com a maior produtividade do Brasil. Isso se torna ainda mais surpreendentemente positivo diante do fato de o Estado ter replantado mais de 15% da área. No Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) todas as regiões vêm surpreendendo. Desde novembro, ainda no início do plantio, a Agroconsult já tinha identificado problemas de desenvolvimento especialmente nas lavouras de plantio precoce. O começo do ano foi bastante seco, mas o clima começou a se regularizar. Em fevereiro, o comportamento do clima foi mais favorável.
O começo do ano foi bastante seco, mas o clima começou a se regularizar. O El Niño praticamente acabou em fevereiro. As Regiões Norte e Nordeste têm condição de apresentar resultado maior do que o demonstrado atualmente. A preocupação é a infestação muito grande de mosca branca. Isso vai tirar produtividade e peso de grão. A presença de mosca branca e de percevejos foram características muito grandes desta safra. Na Região Centro-Oeste, Mato Grosso, o principal Estado produtor, foi também o mais afetado pelo clima adverso. A produtividade caiu 16,8%, para 53,1 sacas de 60 Kg por hectare. Em Goiás, a queda foi de 5,2%, para 55 sacas de 60 Kg por hectare. Em Mato Grosso do Sul, as lavouras do sul do Estado foram muito prejudicadas. A produtividade do Estado foi estimada em 51,2 sacas de 60 Kg por hectare queda de 20%. O clima continua bastante seco em Mato Grosso do Sul e as lavouras de milho da 2ª safra de 2024 estão sofrendo no momento. Na Região Sudeste, Minas Gerais teve queda de 2,9% na produtividade, para 63,4 sacas de 60 Kg por hectare, enquanto São Paulo registra uma queda de 24,4%, com 48 sacas de 60 Kg por hectare. Mesmo as lavouras de pivô foram prejudicadas.
Na Região Sul, no Paraná, a queda também foi significativa, de 15,1%, com produtividade projetada em 56,1 sacas de 60 Kg por hectare. As condições ruins do plantio no norte do Estado já eram conhecidas, mas havia expectativa positiva em relação à região central, o que não se confirmou. As condições climáticas não foram suficientes para compensar a quebra das outras regiões. A exceção foi o Rio Grande do Sul, onde a produtividade média foi estimada em 57,2 sacas de 60 Kg por hectare, 55,2% acima da safra passada, quando, em função da quebra, o Estado produziu 33,5 de 60 Kg por hectare. A recuperação é considerável. A Agroconsult trabalhava com uma projeção de 55 de 60 Kg por hectare. Até o momento, foram colhidos cerca de 15% da produção do Estado e os dados podem sofrer alterações, inclusive para cima, a depender do avanço da colheita. Além disso, há preocupação com doenças, principalmente com a ferrugem. O produtor está fazendo controle; hoje ele está na quinta aplicação de fungicida e fará mais se for preciso. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.