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05/Mar/2024

Óleo de Soja: atrasos na importação já preocupam

Importadores de óleo de soja relatam atraso na entrada de cargas internalizadas no País em virtude da mobilização dos auditores fiscais federais agropecuários, iniciada em 22 de janeiro e sem previsão de término. Durante este período, pedidos de informações adicionais e auditorias extras sobre os lotes vêm ocorrendo nas alfândegas e nos portos, o que torna o processo mais moroso. O Ministério da Agricultura já está ciente da situação. O óleo de soja importado é utilizado sobretudo na fabricação de biodiesel. O setor esperava uma resolução para os atrasos com um previsto acordo entre a categoria e o governo federal na última semana, o que não ocorreu. Os casos vinham sendo contornados e pontuais. Agora, com a extensão da mobilização, os impactos devem ser sentidos por um maior número de empresas. Apesar de as importações do produto não serem de volumes expressivos, os industriais garantem que a internalização é necessária para a produção do biocombustível.

Em 2023, o Brasil importou 21.374 toneladas de óleo de soja, com desembolso de US$ 22,676 milhões. Além da indústria de derivados de soja, exportadores de carnes, fabricantes de proteína animal e exportadores de frutas vêm relatando ao governo impactos na produção e no fluxo comercial do produto, em virtude da mobilização da categoria. A avaliação do setor é de que os efeitos podem se agravar significativamente se a mobilização se estender até o fim desta semana. A tendência é de que o setor privado reforce o coro por uma solução imediata e urgente do governo para a questão. Uma das medidas apontadas pelo setor como passível de minimizar os impactos ao setor privado é a edição de uma instrução normativa ou portaria reduzindo o tempo máximo permitido para liberação de certificados de exportação e de aval nos processos aduaneiros.

Hoje, o prazo é de cinco dias. Talvez seria possível diminuir para três dias, o que é viável e não seria uma ofensiva contra a mobilização. O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) determinou que a mobilização da categoria vai continuar até apresentação de uma contraproposta para reestruturação da carreira pelo Ministério da Gestão e da Inovação (MGI), prevista para ocorrer nesta semana. No dia 29 de fevereiro, os auditores agropecuários se reuniram com o Ministério em uma terceira rodada de negociações, onde apresentaram prioridades como a inclusão da categoria no ciclo de auditoria. Agora, o sindicato aguarda a contraproposta do Ministério para encaminhar a decisão de aprovação ou reprovação aos filiados, que também decidirão pela continuidade ou não da mobilização.

Batizada de Operação Reestruturação, os auditores agropecuários reivindicam ao governo melhores salários e condições de trabalho. A categoria quer a equalização da carreira em relação ao tratamento recebido pelos auditores do trabalho, da Receita Federal e da Polícia Federal. O Anffa afirma que a mobilização não corresponde à greve ou à paralisação das atividades de defesa agropecuária ou à operação-padrão. Conforme o Anffa Sindical, a mobilização inclui a liberação de certificados e de mercadorias no último dia do prazo previsto pelo Ministério da Agricultura, dentro do prazo regulamentar, tornando o processo mais moroso, como na liberação de cargas em portos para exportação. A análise e liberação de produtos perecíveis e cargas vivas são priorizadas pelos auditores agropecuários. A mobilização não atinge diagnóstico de doenças e pragas de programas de controle do ministério e emissão de certificados sanitários internacionais para animais de estimação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.