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14/Feb/2024

Tendência baixista deve persistir sobre preço da soja

Com a perspectiva de ampla oferta da soja, os preços no mercado internacional tendem a se manter nos patamares atuais ao longo do ano, com viés de baixa, a não ser que haja algum fator extraordinário em relação à safra 2024/2025 nos Estados Unidos, que começa a ser plantada em maio. Há um achatamento nos preços da soja devido à oferta da Argentina, que vai produzir 53 milhões de toneladas em 2023/2024. Outros países vizinhos como Paraguai e Bolívia também terão boa produção, assim como o Brasil, com oferta estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 149,4 milhões de toneladas. Há uma grande preocupação no cenário externo com a desaceleração da China e as tensões do país com os Estados Unidos, o que pode favorecer o Brasil. Porém, a demanda internacional firme, a valorização do dólar frente ao Real e preocupações quanto à baixa produtividade na safra brasileira 2023/2024 estão elevando as cotações da soja no mercado doméstico.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu de forma expressiva as estimativas de produção na atual temporada, que deve ser menor que a anterior, enquanto dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apresentaram variações mais amenas, inclusive elevando os estoques mundiais de passagem, o que reforçou a queda externa e limitou a alta no Brasil. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 0,3%, cotado a R$ 118,47 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 0,9% nos últimos sete dias, a R$ 112,46 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços apresentam alta de 0,2% no mercado de balcão (preço pago ao produtor), mas queda de 0,6% no de lotes (negociações entre empresas). A Conab estima a área cultivada com soja na temporada 2023/2024 em 45,1 milhões de hectares, crescimento de 2,3% frente à anterior.

Entretanto, as estimativas apontam que a produtividade pode ser 5,5% menor nesta safra, o que deve resultar em oferta de 149,4 milhões de toneladas, queda de 3,4% sobre a anterior. O processamento interno de 2024 deve ser de 53,4 milhões de toneladas (+2,3%), e as exportações, de 94,2 milhões de toneladas (-7,6%). Dados do USDA divulgados no dia 8 de fevereiro, apontaram leve redução na estimativa de produção brasileira de 2023/2024, para 156 milhões de toneladas, mantendo a oferta dos demais países. A produção mundial está estimada em 398,2 milhões de toneladas, um recorde, com crescimento de 5,3% sobre 2022/2023. Quanto ao esmagamento, o USDA reduziu os dados da União Europeia, mas elevou os da Índia. No agregado, estima-se que 329,3 milhões de toneladas de soja sejam esmagadas em termos globais, crescimento de 4,8% frente à temporada anterior. O USDA elevou as previsões de exportação do Brasil, mas reduziu a dos Estados Unidos.

Do lado das importações, não houve atualizações nos dados dos principais países compradores de soja em grão. As transações mundiais estão previstas em 167,8 milhões de toneladas, 2,1% a mais que na temporada 2022/2023. O expressivo aumento nos preços do óleo de palma da Malásia gerou expectativas de maior demanda por óleo de soja, uma vez que ambos são concorrentes. Esse cenário interrompeu o movimento de baixa nos valores do derivado da oleaginosa nos Estados Unidos e no Brasil. Na Bolsa de Chicago, o contrato Março/2024 do óleo de soja registrou expressiva alta de 5,1% de 1º a 8 de fevereiro, a US$ 1.056,89 por tonelada. A alta externa elevou o preço FOB no Brasil, que foi calculado no Porto de Paranaguá (PR) a US$ 879,42 por tonelada, aumento de 7,4% nos últimos sete dias. No spot nacional, o preço do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) registra avanço de 0,3% nos últimos sete dias, a R$ 4.806,10 por tonelada.

A valorização no preço doméstico, no entanto, é limitada pelas expectativas de oferta abundante da América do Sul. De acordo com o USDA, o Brasil deve produzir 10,35 milhões de óleo de soja na temporada 2023/2024, e a Argentina, 7 milhões de toneladas, respectivos aumentos de 1,23% e de 17% frente à temporada passada. O USDA indica que a Argentina deve abastecer o mercado global com 4,75 milhões de toneladas de óleo de soja, 14,8% superior à safra passada. Com isso, os embarques do Brasil são projetados em 1,8 milhão de toneladas, queda de 31% nesta temporada. Os preços do farelo de soja estão em baixa, refletindo o possível aumento na demanda por óleo de soja. Além disso, o USDA estima que a Argentina deve exportar 24,4 milhões de toneladas de farelo nesta temporada, 17,5% a mais que o volume embarcado na safra passada. Assim, os embarques do Brasil podem diminuir em 3,9%, projetados em 20,5 milhões de toneladas nesta temporada. Na Bolsa de Chicago, o contrato Março/2024 do farelo de soja cedeu 4% de 1º a 8 de fevereiro, a US$ 381,61 por tonelada, o menor valor nominal desde 11 de novembro de 2021. A desvalorização externa refletiu nos preços brasileiros, que caíram 3,4% na média das regiões. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.