24/Abr/2023
A tendência é baixista para os preços da soja nos mercados externo e interno, com o recuo das cotações globais nos curto e longo prazos, aumento da oferta interna e global, baixo volume de vendas antecipadas na safra 2022/2023, alta dos custos dos fretes entre o interior e os portos, acúmulo de navios nos terminais de exportação e prêmios negativos. Como resultado da safra recorde de soja no Brasil e do baixo volume vendido, os prêmios de exportação da oleaginosa registram os menores patamares desde 2004. Assim, o preço FOB da soja, no Porto de Paranaguá (PR), opera abaixo dos US$ 500,00 por tonelada, o mais baixo desde novembro/2021. Os prêmios de exportação para embarque em maio/2023 no Porto de Paranaguá têm indicação de compradores a -US$ 2,00 por bushel. Quando considerados os contratos de primeiro vencimento, o prêmio atual é o menor da série histórica iniciada em junho/2004. Do lado vendedor, os prêmios estão em -US$1,70 por bushel, o mais baixo desde julho/2004, quando operavam a -US$ 2,00 por bushel.
Ainda com base no Porto de Paranaguá, o preço FOB da soja chegou a US$ 495,05 por tonelada no dia 18 de abril, o menor desde 9 de novembro de 2021. Trata-se, também, do menor preço FOB da soja para esse período desde 2020. Diante disso, no dia 17 de maio, especificamente, os Indicadores ESALQ/BM&F Paranaguá (PR) e CEPEA/ESALQ Paraná registraram os menores patamares desde meados de setembro/2020, em termos nominais. Nos dias seguintes, entretanto, a queda foi limitada pela valorização do dólar frente ao Real, o que incentivou os negócios no Brasil. Na parcial de abril, as exportações de soja registram média diária de 838,8 mil toneladas, 38,9% acima das de abril do ano passado, de 603,8 mil toneladas por dia. Com isso, nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 1,2%, cotado a R$ 143,99 por saca de 60 Kg.
A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 1,5% nos últimos sete dias, a R$ 137,91 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços registram queda de 2,1% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1,3% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Os preços dos derivados também estão cedendo no mercado doméstico, influenciados pela demanda enfraquecida e pelo menor custo com a matéria-prima. Os valores do farelo de soja apresentam recuo de 0,7% nos últimos sete dias. O óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) tem desvalorização de 1,6% no mesmo comparativo, a R$ 5.384,53 por tonelada. Diante deste contexto, considerando-se os preços da soja em grão, do farelo e do óleo negociados em São Paulo no dia 19 de abril, a “crush margin” foi calculada em R$ 603,69 por tonelada, alta de 5,3% ante o valor do dia 13 de abril. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até o dia 15 de abril, o Brasil colheu 85% das 153,63 milhões de toneladas previstas para a temporada 2022/2023, levemente inferior aos 87,1% verificados em igual período do ano passado.
A colheita está praticamente finalizada em Mato Grosso, em Mato Grosso do Sul, em Goiás, em São Paulo e em Tocantins. Em Minas Gerais, foram colhidos 93% da área de soja, sendo que, no mesmo período do ano passado, as atividades já haviam sido encerradas. A colheita atingiu 94% da área de soja no Paraná, igual ao mesmo período de 2022; 34% em Santa Catarina, contra 88% há um ano; e 35% no Rio Grande do Sul, abaixo dos 38% colhidos no mesmo período de 2022. Vale ressaltar que, mesmo com a menor produção de soja em relação à estimada inicialmente na Região Sul do Brasil, devido ao clima desfavorável, a produção desta temporada deve superar a anterior. O Paraná deve produzir 22,3 milhões de toneladas de soja, 82% superior aos 12,25 da temporada passada, sendo que 94% da safra 2023/2024 já foi colhida no Estado. No Rio Grande do Sul, 35% das 14,51 milhões de toneladas foram colhidas; na temporada passada, a produção havia sido de 9,11 milhões de toneladas.
Em Santa Catarina, a produção de soja deve crescer 27,9%, somando 2,6 milhões de toneladas na safra atual, sendo que 34% da área havia sido colhida até o dia 15 de abril. Na Bahia, foram colhidos 81% da área de soja, abaixo dos 85% no mesmo período da safra passada; 64% no Maranhão, inferior aos 66% há um ano; e 86% no Piauí, contra 92% há um ano. Os produtores dos Estados Unidos iniciaram a semeadura de soja da safra 2023/2024, mas as baixas temperaturas, a umidade elevada e a possibilidade de neve podem interromper as atividades de campo nos próximos dias. Esse cenário está sustentando os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago. Os futuros do grão também são sustentados pela valorização do óleo de soja, de 2,4% nos últimos sete dias. O contrato Maio/2023 do farelo de soja apresenta desvalorização de 2% no mesmo comparativo. De acordo com o relatório de acompanhamento de safras do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado no dia 17 de abril, a semeadura nos Estados Unidos soma 4% da área estimada, acima da média das últimas cinco safras, que é de 1%. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.