17/Abr/2023
A tendência é baixista para os preços da soja nos mercados externo e interno, com a queda do dólar, recuo das cotações globais nos curto e longo prazos, aumento da oferta interna e global, baixo volume de vendas antecipadas na safra 2022/2023, alta dos custos dos fretes entre o interior e os portos, acúmulo de navios nos terminais de exportação e prêmios negativos. Embora o Brasil esteja exportando volume recorde de soja e derivados, a oferta doméstica ainda está acima da demanda. A safra 2022/2023 segue surpreendendo os sojicultores, diante das produtividades recordes na maior parte das regiões brasileiras, com destaques para MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e Mato Grosso, que compensam com sobras as perdas registradas na Região Sul. Diante do volume elevado da atual safra, as cooperativas e as cerealistas no Brasil têm relatado pouco espaço em seus armazéns e, por conta disso, têm incentivado sojicultores a fixarem uma maior quantidade da produção. Esse cenário elevou a liquidez no spot nacional, mesmo com o recuo dos preços.
Tanto a Conab quanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reajustaram para cima as estimativas de produção de soja no Brasil, com respectivas previsões de 153,6 milhões de toneladas (sendo que 78,2% tinham sido colhidos até 8 de abril) e de 154 milhões de toneladas. Na Argentina, a projeção da Bolsa de Cereais de Buenos Aires é de 23 milhões de toneladas. A baixa oferta na Argentina deve levar o país a importar quantidade recorde de soja, de 8,3 milhões de toneladas, para manter o processamento do grão. Isso pode alavancar ainda mais os embarques do Brasil, que são previstos em volume recorde de 93 milhões de toneladas, e do Paraguai, que passa a ser o terceiro maior exportador do grão na temporada 2022/2023, abastecendo o mercado global com 6,4 milhões de toneladas da oleaginosa. Vale ressaltar que a China, a principal importadora global de soja em grão, deve adquirir no mercado global 96 milhões de toneladas nesta temporada, 4,8% a mais que na safra passada. Em março deste ano, o Brasil enviou à China quantidade recorde de soja para o mês, de 10 milhões de toneladas.
Quanto aos preços, nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta forte recuo de 5,7%, cotado a R$ 145,80 por saca de 60 Kg, sendo o menor valor nominal desde 21 de setembro de 2020. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ também registra queda significativa de 5,7% nos últimos sete dias, a R$ 140,00 por saca de 60 Kg. mais baixo desde 18 de setembro de 2020. Nos últimos sete dias, os valores registram baixa de 5,3% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 5,5% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Vale ressaltar que as quedas são acentuadas pela desvalorização do dólar frente ao Real, de 2,5% na semana passada, cotado a R$ 4,92 na quinta-feira (13/04), o menor desde 9 de junho do ano passado. Além de enviar soja para a Argentina, o Brasil também poderá absorver parte da demanda externa de derivados.
No caso do farelo de soja, as exportações da Argentina são previstas em 22,4 milhões de toneladas pelo USDA, o mais baixo desde a safra 2004/2005 (20,65 milhões de toneladas). O Brasil poderá embarcar nesta temporada quantidade recorde de 22 milhões de toneladas de farelo de soja. Em março, saíram dos portos brasileiros 1,92 milhão de toneladas de farelo de soja, um recorde para o mês. Na parcial desta temporada (outubro/2022 a março/2023), o Brasil já exportou 9,01 milhões de toneladas de farelo, ou seja, 42% do volume previsto até setembro/2023. Ainda assim, os preços do farelo de soja apresentam recuo de 2,9% nos últimos sete dias. Na região de Campinas (SP), os valores são os menores desde 9 de junho do ano passado. A queda doméstica é limitada pela valorização externa. Na Bolsa de Chicago, o contrato Maio/2023 do farelo subiu 2,9% nos últimos sete dias, indo para US$ 511,03 por tonelada. O fato é que o consumo doméstico de farelo de soja nos Estados Unidos é estimado pelo USDA em volume recorde, de 35,74 milhões de toneladas, sendo o segundo maior do mundo, atrás apenas da China.
Esse cenário, além de elevar os preços norte-americanos, deve limitar as exportações daquele país, que seguem estimadas em 12,42 milhões de toneladas. As exportações de óleo de soja na Argentina são estimadas pelo USDA em 4,1 milhões de toneladas, a menor quantidade desde a safra 2013/2014. Os embarques brasileiros foram projetados em 2,4 milhões de toneladas, 0,37% inferiores aos da temporada passada. Isso porque o governo norte-americano estima que a demanda global por óleo de soja some apenas 10,28 milhões de toneladas nesta temporada, a mais baixa desde 2017/2018 (9,96 milhões de toneladas). A possível menor demanda está atrelada ao aumento da oferta global de óleo de palma, devido, por sua vez, às maiores produções na Indonésia e na Malásia. Com isso, o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) tem desvalorização de expressivos 5,7% nos últimos sete dias, indo para R$ 5.470,62 por tonelada, o menor valor desde 16 de dezembro de 2020. Entretanto, as exportações de óleo de soja do Brasil somaram 216,7 mil toneladas em março, a maior quantidade para o mês, conforme dados da Secex. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.