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13/Mar/2023

Tendência é baixista para preços da soja no Brasil

A tendência é baixista para os preços da soja no mercado interno no curto prazo, com aumento da oferta interna, baixo volume de vendas antecipadas na safra 2022/2023, alta dos custos dos fretes entre o interior e os portos, acúmulo de navios nos terminais de exportação e prêmios negativos. As cotações futuras dos vencimentos mais próximos estão sustentadas em patamares elevados na Bolsa de Chicago, oscilando entre US$ 15,00 a US$ 15,20 por bushel. Entretanto, os vencimentos do 2º semestre de 2023 oscilam entre US$ 13,50 e US$ 14,60 por bushel, ante a média histórica dos últimos 10 anos de US$ 10,95 por bushel, refletindo a expectativa de aumento da oferta global, com a safra recorde no Brasil em 2022/2023 e a possibilidade de expansão de área nos EUA na próxima safra 2023/2024. Na Argentina – maior exportador global de farelo e óleo – as perdas são expressivas, com a safra 2022/2023 estimada em 28 milhões de toneladas, ante projeção inicial de 49 milhões de toneladas. Essa redução deverá favorecer as exportações brasileiras de farelo e óleo de soja ao longo de 2023.

Mesmo com os preços da soja em grão em queda no Brasil, e renovando as mínimas nominais, as cotações do farelo e do óleo de soja voltaram a subir no mercado doméstico. A alta está atrelada à menor oferta na Argentina, principal abastecedora global de derivados de soja, e às expectativas de maior demanda, sobretudo externa, pelos derivados brasileiros. Com isso, o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) registra alta de 2,9% nos últimos sete dias, indo para R$ 6.463,47 por tonelada. Quanto ao farelo de soja, há avanço de 1% no mesmo período. A produção de soja na Argentina foi projetada, no dia 8 de março, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 33 milhões de toneladas, a menor desde a safra 2008/2009. Essa retração se deve às altas temperaturas e ao déficit hídrico em grande parte do desenvolvimento das lavouras da safra 2022/2023. Com isso, apenas 35,2 milhões de toneladas de soja serão destinadas às indústrias de esmagamento na Argentina, a quantidade mais baixa desde 2012/2013.

Para impedir quedas ainda mais significativas nas produções de farelo e óleo de soja, a Argentina deve importar volume recorde de 7,25 milhões de toneladas de soja em grão, expressivos 89% acima da temporada passada. A produção de farelo de soja na Argentina é prevista em 27,5 milhões de toneladas, 9,2% abaixo da safra anterior. Deste total, 24,9 milhões de toneladas de farelo de soja devem ser exportadas, 6,3% a menos que na temporada passada e o volume mais baixo desde 2012/2013. A produção de óleo de soja na Argentina é estimada em 6,9 milhões de toneladas, sendo que 4,75 milhões de toneladas devem ser embarcadas, 2,5% inferior à safra 2021/2022 e a menor das últimas cinco temporadas. Com o menor abastecimento na Argentina, os consumidores globais podem se redirecionar ao Brasil. O USDA estima produção nacional de farelo de soja em volume recorde de 40,87 milhões de toneladas, sendo que 21,1 milhões de toneladas devem ser exportadas, e 19,85 milhões de toneladas, consumidas internamente.

Vale ressaltar que, embora os embarques de farelo de soja tenham recuado 6,7% entre janeiro e fevereiro, somando apenas 1,3 milhão de toneladas no último mês, na parcial desta temporada (de setembro/2022 a fevereiro/2023), o Brasil escoou 7,1 milhões de toneladas do derivado, 23,5% a mais que no mesmo período da safra passada. A produção de óleo de soja no Brasil pode alcançar 10,16 milhões de toneladas, sendo 2,3 milhões de toneladas destinadas à exportação, 3,92 milhões de toneladas, ao consumo industrial no País, e 3,97 milhões de toneladas, às indústrias alimentícias, um recorde. O Brasil exportou 215,2 mil toneladas de óleo de soja em fevereiro/2023, 18% acima do embarcado no mês anterior. Na parcial desta temporada, os embarques de óleo somam 1,2 milhão de toneladas, nove vezes mais que o volume escoado no mesmo período da safra passada. Os preços internos da soja têm sido pressionados pelo avanço na colheita da safra 2022/2023, que segue estimada em volume recorde de 153 milhões de toneladas pelo USDA, e pela desvalorização cambial (US$/R$), que torna a commodity dos Estados Unidos mais atrativa aos importadores em detrimento das brasileiras.

Os Estados Unidos são os principais concorrentes do Brasil nas exportações da oleaginosa. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 1,2%, cotado a R$ 167,24 por saca de 60 Kg, o valor mais baixo desde 14 de dezembro de 2021. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 1,4% nos últimos sete dias, a R$ 159,73 por saca de 60 Kg. Este é o menor valor diário desde 16 de novembro de 2021. Nos últimos sete dias, os preços registram queda de 1,5% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1% no mercado de lotes (negociações entre empresas). A queda nos preços domésticos foi limitada pelas estimativas de maior exportação da soja brasileira, prevista pelo USDA em 92,7 milhões de toneladas, 17,16% superior à safra passada. Vale ressaltar que, das 5,19 milhões de toneladas de soja embarcadas em fevereiro, 3,59 milhões foram destinadas à China. O Porto de Santos (SP) foi o principal canal de escoamento da oleaginosa em fevereiro. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.