ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

26/Mai/2022

Biodiesel poderia amenizar a escassez de diesel

Segundo a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), a possível crise de abastecimento de diesel no Brasil no segundo semestre deste ano poderia ser amenizada se o governo aumentasse a mistura do biodiesel de 10% para 14%. O Brasil gastou em abril US$ 1,4 bilhão com a importação de diesel fóssil, maior dispêndio mensal com importação de diesel desde novembro de 2012. No ano, as importações já somam US$ 3,4 bilhões, e a tendência é de que a conta fique ainda mais salgada no segundo semestre, se a já apertada comercialização de diesel no mercado internacional ficar mais estressada, como preveem especialistas. O preço de US$ 160,00 a US$ 170,00 por barril de diesel está longe de refletir o que pode acontecer daqui para frente, quando as sanções europeias entrarem em funcionamento e se a China relaxar as restrições do surto de Covid.

Para o setor de biodiesel, a melhor saída para o Brasil é estimular o uso do biocombustível para garantir o abastecimento. A mistura atualmente deveria estar sendo de 14%, mas uma decisão do governo, no apagar das luzes do ano passado, reduziu o percentual para 10%, sob alegação de que ajudaria a reduzir o preço nos postos de abastecimento. Não ajudou, já que o diesel subiu de preço e hoje está apenas um pouco abaixo do biodiesel. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a média do preço do diesel era de R$ 6,741 por litro na semana passada, enquanto o biodiesel custa em média R$ 7,00 por litro. Uma avaliação indicou que cada ponto percentual de aumento no teor de biodiesel resulta em um ganho para a sociedade de R$ 30 bilhões ao ano, contabilizando os aspectos sociais, ambientais, de saúde pública e econômica, a redução de custos, aumento de produção, abertura de novos postos de trabalho e melhoria da qualidade de vida com a redução da poluição ambiental.

O Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) foi criado em 2005 e passou por várias regulamentações. A mais recente foi em 2018, quando o governo de Michel Temer estabeleceu um cronograma de evolução da mistura obrigatória de biodiesel que previa 1 ponto porcentual por ano até atingir a mistura de 15% (B15), em 2023. Em 2019, a mistura foi de 11%, e de 12% em 2020. Este ano, portanto, defendem os produtores, deveria ser a vez da mistura de 14%, mas foi reduzida para 10%, aumentando a necessidade da importação de diesel. Pelas contas da Aprobio, se a mistura fosse de 14% (B14), o Brasil teria consumido aproximadamente mais 200 mil metros cúbicos de biodiesel em abril, evitando assim a necessidade de importação de volume equivalente de diesel. Considerando este volume e a cotação média do diesel importado, em abril poderíamos projetar uma economia de divisas de cerca de US$ 180 milhões. Enquanto o Brasil não tiver refinarias suficientes para abastecer todo o País, continuará transferindo empregos para lugares onde se produz combustível fóssil. O Brasil importa em média cerca de 25% de todo o diesel que consome, dependendo da época do ano.

Durante a safra, quando aumenta o número de caminhões em circulação, as importações podem chegar a 30%. O preço do diesel disparou no mercado internacional com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, com o fluxo de comércio sendo modificado para atender os países europeus que dependem do gás da Rússia. O país ameaça cortar o fornecimento de gás para vários países, já tendo cortado o envio do insumo para Bulgária, Polônia e Finlândia. Sem gás, a alternativa é usar diesel, o que provoca a escassez no mercado mundial. No governo Bolsonaro o preço do diesel subiu 165,5%, acima da alta de 155,8% da gasolina e de 119,1% do GLP, impulsionado em um primeiro momento pela retomada da economia, após a pandemia de Covid-19, e mais recentemente pelo conflito no Leste Europeu. Além de contaminar a inflação, e com isso ameaçar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro, a alta do diesel coloca em risco o apoio dos caminhoneiros ao político, que ameaçam fazer uma nova greve, como a de 2018, e parar novamente o País. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.