23/Jan/2020
O setor exportador de soja no Brasil se prepara para a maior concorrência dos Estados Unidos no mercado chinês e já redobra o cuidado com o produto destinado ao exterior. A avaliação é de que não só a oleaginosa ganhará espaço nas exportações norte-americanas após o acordo comercial entre os dois países. A expectativa é de que outras commodities, em especial as de maior valor agregado, sejam consideradas no incremento previsto na “Fase 1” do pacto, já que os Estados Unidos não terão oferta expressiva de soja em grão para atender o país asiático neste ano. A China concordou em ampliar as suas aquisições de produtos agropecuários norte-americanos em US$ 12,5 bilhões no primeiro ano e em US$ 19,5 bilhões no segundo ano, ante os US$ 24 bilhões de 2017. Até agora não se sabe quanto desse montante caberá a cada produto agropecuário.
Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), ainda não é possível estimar o efeito da reaproximação sino-americana nas exportações brasileiras porque não se sabe qual volume será comprado de soja dos Estados Unidos pela China. Mas, a partir de agora, o Brasil deve redobrar o cuidado com sanidade, qualidade e prazos de entrega para manter o espaço conquistado no mercado internacional. Quando há acordos bilaterais em curso, o nível de exigência de importadores aumenta. Mas, o Brasil tem todas as condições para lidar com isso e oferecer o melhor produto possível. A Anec vai anunciar em fevereiro a sua projeção de vendas externas. Até o fim do ano passado, a sinalização da entidade era de 72 milhões a 74 milhões de toneladas.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o aumento na importação chinesa dos Estados Unidos virá principalmente de produtos de maior valor agregado. O acordo menciona apenas grupos de mercadorias em que pode haver incremento, sem detalhar. Isso pode ser um sinal de que os governos querem ter certa flexibilidade de aumentar as compras dentro de determinados grupos de produto. Esses grupos incluem oleaginosas, grãos, proteína animal, frutos do mar e produtos de maior valor agregado, como alimentos preparados. Naturalmente, os Estados Unidos vão recuperar parte do mercado de soja perdido nos últimos dois anos, mas, para atingir o total acertado, exportações de maior valor agregado terão de ser consideradas, caso contrário vai ser difícil cumprir os termos.
Os Estados Unidos tiveram quebra de safra de soja de 23,68 milhões de toneladas na temporada 2019/2020 em relação ao ciclo anterior, com colheita de 96,84 milhões de toneladas. Muito provavelmente, os norte-americanos vão oferecer produtos como DDG (grãos secos de destilaria, um subproduto do milho), óleos vegetais e carnes para a China. Os Estados Unidos podem pedir que a China aceite importar não só soja em grãos, mas também farelo. Brasil e Argentina também pleitearam espaço para o derivado no mercado chinês ao longo do último ano. Nas últimas décadas, a China importou principalmente soja em grão, investindo na produção interna de farelo. Entretanto, a perspectiva de transformação da suinocultura chinesa após a peste suína africana (PSA) para uma produção mais intensiva e moderna, utilizará mais rações balanceadas.
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a China foi o destino de 78% do volume de soja em grão exportado pelo Brasil em 2019, abaixo dos 82% observados em 2018. No ano passado, o volume de vendas externas do Brasil para a China caiu 16%. A diminuição é fruto principalmente da peste suína africana, que reduziu os rebanhos suínos do país. Também contribuíram para o resultado as compras que a China fez ao longo do ano de soja nos Estados Unidos como sinal de boa vontade na negociação comercial e a maior participação argentina no mercado internacional com a recuperação da oferta do país. Fonte: Agência Estado. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.