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21/Jan/2020

Acordo EUA-China: ceticismo com compras de soja

Os futuros agrícolas na Bolsa de Chicago não esboçaram grandes reações à assinatura da primeira fase do acordo comercial entre Estados Unidos e China, na semana passada. Apesar do compromisso assumido pela China de comprar mais produtos agrícolas norte-americanos, os preços não subiram. Este é um sinal de que investidores e comerciantes não veem o acordo como um grande impacto econômico real. A dinâmica dos mercados globais de commodities explica parte do ceticismo dos investidores. A soja, maior componente do comércio agrícola Estados Unidos-China, é uma janela para entender essas relações.

A elevação dos preços das ações é um sinal de amplo otimismo em relação à economia dos Estados Unidos e, provavelmente, um alívio com a diminuição dos confrontos comerciais. Ao mesmo tempo, a tranquilidade nos mercados de commodities sugere que investidores não esperam grandes mudanças na oferta ou demanda de produtos agrícolas. Se fosse esperada uma demanda crescente ou um choque de suprimento, as cotações agrícolas teriam uma alta. Entretanto, os preços de soja, por exemplo, estão mais baixos do que quando Donald Trump foi eleito presidente em novembro de 2016. As cotações de trigo, suínos e laticínios estão igualmente estáveis.

A China se comprometeu a aumentar as compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos em US$ 32 bilhões nos próximos dois anos. O acordo faz parte de um projeto mais amplo da China para aumentar as compras de uma ampla gama de produtos norte-americanos, incluindo energia e manufaturados, em US$ 200 bilhões em dois anos. No entanto, traders têm dúvidas de que a China cumprirá seus compromissos ou de que as compras prometidas mudem apenas a demanda de um país para outro ou de um ano para o outro, sem alterar fundamentalmente a sorte dos agricultores norte-americanos. Brasil e Estados Unidos são os principais exportadores de soja e, dos 85 milhões de toneladas de soja importadas pela China em 2019, aproximadamente 57 milhões de toneladas eram do Brasil.

Se a China mudar suas compras do Brasil para os Estados Unidos para cumprir o novo acordo, a demanda global não mudará. Essa mudança pode elevar o preço da soja norte-americana em relação à soja brasileira. Mas, a soja brasileira seria então mais barata em outros mercados, dando-lhe uma nova vantagem fora da China. O resultado: a diferença entre a soja dos Estados Unidos e a do Brasil provavelmente diminuiria, deixando o preço da soja dos Estados Unidos pouco alterado. Se a China comprasse mais soja nos mercados globais, em geral, em vez de simplesmente mudar as compras de um país para outro, por sua vez, os chineses poderiam ordenar que suas empresas de armazenamento estatais comprassem mais.

Mas, sem um aumento na demanda nacional, a soja extra acabaria em instalações de armazenamento, pressionando os preços no futuro. A China poderia comprar mais no próximo ano para cumprir sua meta e depois comprar menos em 2022. Há benefícios potenciais para os agricultores dos Estados Unidos no acordo, incluindo possíveis reformas na maneira como a China gerencia cotas de importação de trigo, milho e arroz. No entanto, quando se trata de amplas promessas de compra, o acordo deixa a China com a opção de ficar aquém se as forças do mercado o exigirem. Fonte: Agência Estado. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.