16/Dez/2019
A tendência é de sustentação para os preços da soja e derivados no mercado brasileiro, com a alta dos futuros em Chicago após o anúncio do acordo entre Estados Unidos e China, alta do dólar para o patamar de R$ 4,10 e prêmios mais elevados nos portos brasileiros. Os futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam em alta na sexta-feira (13/12), após uma sessão volátil. Os preços subiram no início da sessão com a notícia de que Estados Unidos e China chegaram finalmente a um acordo comercial inicial, mas a ausência de detalhes mais concretos levou o mercado a devolver ganhos. Perto do fim da sessão, informações sobre compras chinesas de produtos agrícolas voltaram a dar impulso às cotações, que mesmo assim fecharam bem abaixo das máximas do dia. O vencimento março subiu 9,00 cents (0,99%) e fechou a US$ 9,21 por bushel, depois de ter atingido máxima de US$ 9,31 por bushel (+2,0%). O dólar fechou em alta moderada contra o Real na sexta-feira (13/12), em meio à onda de notícias sobre o acordo comercial entre Estados Unidos e China.
Depois de cair para R$ 4,0757, a nova mínima em cinco semanas atingida após o anúncio do acordo, a moeda tomou fôlego e firmou alta na parte da tarde, conforme investidores avaliaram o acordo comercial como menos positivo do que o colocado nos preços, com cancelamento de tarifas, mas manutenção das já existentes e carência de detalhes oficiais sobre outros pontos. Ao fim da sessão, o dólar subiu 0,38%, para R$ 4,1086. Na semana, contudo, a cotação ainda recuou 0,89%. A forte demanda brasileira por óleo de soja e por farelo elevou os prêmios destes subprodutos, que atingiram os maiores patamares desde 2014 para um mês de dezembro. Esse cenário tem impulsionado os valores internos do óleo e do farelo nesta primeira quinzena de dezembro. O recente aquecimento no setor pecuário tem favorecido a demanda por farelo de soja para ração animal.
Quanto ao óleo de soja, a maior procura está atrelada à produção de biodiesel, que, desde setembro de 2019, passou a ter mistura de 11% no óleo diesel. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), os preços de leilões de biodiesel chegaram a R$ 3.075,97 por m³, FOB usinas, sem ICMS, para as entregas nos meses de novembro e dezembro de 2019, o maior valor do ano. No Porto de Paranaguá (PR), os prêmios de exportação do farelo de soja e do óleo estão em alta. Com isso, nesta parcial de dezembro, os preços dos derivados em 15 das 25 regiões pesquisadas são os maiores nominais desde setembro do ano passado. Nos últimos sete dias, os valores de farelo de soja registram alta de 1,7%. No mesmo período, o óleo de soja degomado (posto em São Paulo) apresenta valorização de 0,6%, a R$ 3.670,19 por tonelada. As expectativas são de aumento nas exportações da Argentina, previstas em 30,85 milhões de toneladas de farelo e em 6 milhões de toneladas de óleo de soja.
A entrada do novo governo argentino, no entanto, deixa produtores em alerta. Muitos agentes temem que taxas sejam impostas tarifas sobre as exportações de commodities do país vizinho. O acordo comercial entre os Estados Unidos e a China, anunciado na sexta-feira (13/12), por sua vez, pode prejudicar as vendas do Brasil para a China no próximo ano, uma vez que a China tem sido responsável por cerca de 80% das exportações de soja do Brasil. Esse cenário está elevando os contratos futuros nos Estados Unidos, mas, por outro lado, pressiona os valores brasileiros. Os preços desses países trabalharam em direções opostas também devido à redução cambial. O contrato de primeiro vencimento da soja na Bolsa de Chicago, Janeiro/2020, registra avanço de 2,5% na parcial de dezembro. O contrato de mesmo vencimento do óleo de soja registra forte aumento de 5,3%, a US$ 706,13 por tonelada. O contrato com vencimento em Janeiro/2020 do farelo de soja apresenta leve baixa de 0,2% no mesmo período, a US$ 322,53 por tonelada.
No mercado doméstico, os últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 1,9%, cotado a R$ 87,96 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 2% nos últimos sete dias, a R$ 83,11 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os valores registram queda de 0,2% no mercado de balcão e de 1,1% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Os preços nacionais estão sendo pressionados também pela melhora nas condições climáticas no Brasil. Frequentes chuvas seguem beneficiado as lavouras. Nesse cenário, o País poderá colher volume superior ao da temporada passada. A produção brasileira deve atingir 125 milhões de toneladas na safra 2019/2020, um recorde. Na Argentina, a baixa umidade do solo que preocupa os produtores. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.