16/Dez/2019
A “Fase 1” do acordo comercial entre Estados Unidos e China reduz a incerteza no mercado de soja, mas o impacto na exportação da oleaginosa brasileira depende de como serão distribuídas as compras chinesas de produtos agrícolas nos Estados Unidos. O mercado precisava saber se teria ou não acordo. A indefinição deixava todos em compasso de espera. Entretanto, o acordo ainda não foi de fato assinado e que os esclarecimentos nos próximos dias devem ter influência sobre os preços. Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a China se comprometeria a adquirir US$ 50 bilhões em produtos agrícolas norte-americanos, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirmou que o país asiático concordou em comprar US$ 16 bilhões em produtos agrícolas norte-americanos a mais do que a base em 2017 (US$ 24 bilhões), ou seja US$ 40 bilhões no primeiro ano.
A depender do acréscimo no volume de compras, e de como se dará isso, pode haver um rali na Bolsa de Chicago e impacto nos prêmios de exportação no Brasil. As indicações de prêmios hoje no Brasil já estavam, na sexta-feira (13/1), de US$ 0,05 a US$ 0,10 centavos abaixo do dia anterior. Este é um momento em que a China precisa de soja até a entrada da safra sul-americana em maior volume, a partir de fevereiro. Para avaliar como ficarão as exportações no Brasil, é preciso monitorar como evoluirá a demanda chinesa nos Estados Unidos. É preciso observar, nos próximos dias, como vão se comportar os prêmios nos Estados Unidos e os detalhes dessas compras, como vão ser distribuídos esses US$ 40 bilhões. Assim que sair detalhes, será possível avaliar a situação do Brasil. Pode haver uma subida de prêmios de exportação dos Estados Unidos de forma que a soja brasileira continuaria competitiva para outros destinos do mundo.
Isso poderia provocar uma inversão do que vinha ocorrendo nos anos de guerra comercial, quando alguns destinos vinham se abastecendo nos Estados Unidos por causa de preços mais competitivos. Se o acordo de fato gerar maior demanda chinesa nos Estados Unidos, fundos podem sair de suas posições vendidas na Bolsa de Chicago, o que pode dar suporte adicional às cotações. Entretanto, a negociação comercial não é o único fator a influenciar os preços na Bolsa de Chicago. Os Estados Unidos têm estoque de passagem alto, mas o Departamento de Agricultura do país (USDA) ainda pode revisar para baixo a perspectiva de safra norte-americana. O mercado também monitora a situação na Argentina, onde a previsão é chuva abaixo do normal em dezembro, janeiro e fevereiro. Isso gera cautela quanto à produtividade. Por outro lado, a safra brasileira será volumosa e deve chegar ao mercado dentro de dois meses. Fonte: Agência Estado. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.