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12/Dez/2019

Moratória da soja: empresas da UE cobram Brasil

Um grupo de 87 companhias europeias, que juntas administram ativos superiores a 2,5 bilhões de libras, escreveu uma carta para o governo brasileiro pedindo a interrupção do desmatamento na Amazônia para a produção de soja. Entre elas estão alguns dos maiores produtores de alimentos, gestores de ativos e redes de supermercados do continente, como Tesco, Aldi, Asda e Carrefour. O documento pede a extensão da moratória da soja na Amazônia (ASM), acordo assinado em 2006 pelas empresas para impedir o uso de novas terras para a produção de commodity, que é usada como alimento para humanos e é matéria-prima para ração de gado. O acordo é considerado um mecanismo importante para conter o avanço do desmatamento na Amazônia. "Queremos poder continuar a buscar ou investir na indústria brasileira de soja, mas se a ASM não for mantida isso colocará em risco nossos negócios com a soja brasileira", destaca a carta. Esse texto foi coordenado pela Iniciativa de Risco e Retorno de Investimento em Animais Agrícolas.

O objetivo da carta foi assegurar aos membros que a moratória da Amazônia não vai acabar, segundo a consultora de políticas de sustentabilidade Leah Riley Brown, do Consórcio Britânico de Varejo (BRC), que reúne 70% do setor no Reino Unido). O documento foi enviado no dia 2 para o embaixador do Brasil em Londres, Fred Arruda. Ele informou, dois dias depois, que dividiu as preocupações dos signatários com autoridades domésticas e salientou que o Brasil desenvolveu uma estrutura legal, além de políticas concretas, para mapear a produção e garantir a proteção da vegetação nativa, que cobre 66% do território nacional. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) ressaltou a importância da moratória, que tem sido fundamental para atender às exigências dos mercados consumidores quanto à sustentabilidade da soja brasileira e garantir o reconhecimento internacional do agronegócio brasileiro. A manifestação europeia ocorre em meio a um movimento no Brasil que pede o fim da moratória.

O pedido é encabeçado pela Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja), que diz contar com apoio de pelo menos um representante do governo federal. Em novembro, representantes do setor de produção receberam sinalização positiva do secretário especial da Casa Civil para Relacionamento Externo, Abelardo Lupion, na articulação para tentar rever a moratória. O presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz, afirmou em novembro que os produtores já cumprem as regras. Não há produção de soja no mundo próxima da sustentabilidade como a brasileira, que protege Reserva Legal e Área de Preservação Permanente, segundo ele, afirmando que o setor não precisa de mais imposição. Para ele, se a Europa não quiser mais soja da Amazônia, há o mercado asiático. O governo está atento às reações internacionais. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, tem conversado com outros ministérios e o receio é de que as ameaças, que têm se avolumado, se tornem boicotes reais. Fonte: Agência Estado. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.