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15/Out/2019

EUA: PSA e guerra comercial afetam exportações

O Rabobank prevê que a continuidade da disputa comercial entre Estados Unidos e China e a disseminação da peste suína africana (PSA) devem manter as exportações de soja abaixo de 54,44 milhões de toneladas. O estudo "Desafios de longo prazo para o complexo soja dos Estados Unidos", concluído em setembro mas divulgado nesta segunda-feira (14/10), ainda não leva em conta os efeitos do acordo parcial fechado entre os dois países na sexta-feira (11/10), pelo qual a China se compromete a adquirir até US$ 50 bilhões em produtos agrícolas dos Estados Unidos. Os preços da soja pagos aos produtores dos Estados Unidos devem continuar deprimidos, assim como a área plantada no país, devido a desafios de rentabilidade. Sem a disputa comercial Estados Unidos-China e com uma rápida recuperação da peste suína africana, o preço médio nacional que produtores de soja receberiam seria de US$ 2,00 a US$ 2,50 por bushel maior.

Num ambiente baixista de continuidade do conflito e disseminação da doença, produtores, tradings e exportadores enfrentarão dificuldades para gerar lucros. No entanto, os preços deprimidos da soja e a demanda relativamente elevada por farelo manterão as margens das esmagadoras fortes. Embora a disseminação da peste suína africana reduza a demanda por soja em regiões prejudicadas, outras regiões podem contrabalançar parte dessas perdas à medida que aumentam a sua produção de outras proteínas animais para cobrir a queda na produção de suínos por causa da PSA ou para exportar carne suína para regiões fortemente afetadas pela doença. O ponto forte na perspectiva para a soja é o aumento do processamento nos Estados Unidos. No entanto, o aumento do esmagamento doméstico depende muito das margens de esmagamento positivas e da demanda do setor de proteína animal dos Estados Unidos. As margens brutas de esmagamento à vista do centro de Illinois permanecem acima de US$ 1,50 por bushel desde 2017.

Além disso, margens positivas contribuíram para a abertura de duas novas instalações de esmagamento em Dakota do Norte e Dakota do Sul em 2019, e uma terceira em Michigan está programada para estar em funcionamento em 2021. A chave para margens de esmagamento positivas é a demanda por farelo. Na perspectiva para 10 anos, a previsão é de um aumento anual de 1,5% na demanda por farelo dos Estados Unidos e um aumento modesto nas exportações. A demanda doméstica é impulsionada por novas instalações de produção de carne de frango domésticas sendo construídas e pelas maiores exportações globais de proteínas animais, devido a economias fortes e ao suprimento de carne reduzido pela PSA. No cenário de 10 anos, o preço médio que produtores de soja receberão pelo produto vai variar muito pouco, de uma máxima de US$ 9,30 por bushel na safra 2023/2024 à mínima de US$ 8,90 por bushel no ano safra 2027/2028.

Tanto os níveis de estoques persistentemente altos e as exportações fracas, devido a disputas comerciais e peste suína africana, contribuem para preços consistentemente deprimidos. O preço médio projetado para o intervalo de 10 anos é de US$ 9,10 por bushel. Se analisados a tendência de custos e rendimentos no cinturão do milho, os preços projetados resultarão em oportunidades limitadas de lucros para produtores e se traduzirão em áreas plantadas abaixo de 34,4 milhões de hectares nos Estados Unidos. A rentabilidade de empresas de grãos e tradings será desafiadora, porque além de preços baixos, a perspectiva é de baixa volatilidade, além de exportações norte-americanas abaixo de 54,43 milhões de toneladas. Não só baixas exportações reduzem as oportunidades de movimentação e lucros em operadores de portos, mas também reduzem a utilização de capacidade em instalações já subutilizadas no interior e em portos. Fonte: Agência Estado. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.