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06/Nov/2026

DDGS: China impulsiona exportações brasileiras

As exportações brasileiras de grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS), coproduto da fabricação de etanol de milho utilizado na alimentação animal, já superaram o volume embarcado durante todo o ano de 2025. O avanço é impulsionado pela expansão da indústria nacional de etanol de milho e pelo aumento da demanda externa, especialmente da China. Entre janeiro e outubro de 2026, o Brasil exportou 888,5 mil toneladas de DDGS, volume 42,2% superior às 624,6 mil toneladas registradas em igual período de 2025, conforme dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O resultado também supera em 11,6% as 795,8 mil toneladas embarcadas ao longo de todo o ano passado. A China consolidou-se como mercado relevante para o coproduto brasileiro. Dados apresentados pela StoneX Brasil indicam crescimento de quase 39% nas exportações da categoria mais ampla de coprodutos do milho entre janeiro e setembro, com mais da metade dos embarques destinada ao mercado chinês.

As vendas externas de DDG já alcançaram recorde em 2026, mesmo antes da contabilização dos últimos três meses do ano. O crescimento das exportações ocorre simultaneamente à expansão das usinas brasileiras de etanol de milho, que ampliam a disponibilidade de DDGS à medida que processam volumes maiores do cereal. Embora o aumento da demanda externa pudesse, isoladamente, pressionar os preços domésticos para cima, a expansão da produção nacional tem acrescentado oferta suficiente para atender aos mercados interno e externo, evitando uma valorização persistente do coproduto. Os dados da Anec mostram que os embarques de DDGS alcançaram 48,4 mil toneladas em outubro, ante 29,2 mil toneladas no mesmo mês de 2025, aumento de 65,8%. Para novembro, a programação indicava outras 27,5 mil toneladas, volume ainda sujeito a alterações. A série da associação considera especificamente o DDGS, enquanto os dados apresentados pela StoneX abrangem uma categoria mais ampla de coprodutos do milho.

Apesar do avanço das vendas externas, o mercado doméstico não apresentou trajetória contínua de valorização. Em outubro, os preços do DDG ganharam firmeza no início do mês, mas perderam força nas semanas seguintes. A oferta adicional das usinas parece estar compensando, em grande parte, o volume destinado à exportação, o que limita a pressão sobre as cotações internas. O comportamento dos preços é relevante para a pecuária brasileira, que utiliza o DDG na formulação de rações. O produto reúne energia, proteína e fibra digestível, características que podem torná-lo competitivo em relação a outros ingredientes, principalmente o milho. A vantagem econômica, contudo, depende dos preços relativos entre os insumos, da disponibilidade regional e dos custos de transporte. Mato Grosso concentra a maior parte da produção brasileira de etanol de milho, enquanto Mato Grosso do Sul e Goiás também representam polos importantes.

Nessas regiões, a proximidade entre as usinas e os consumidores de ração influencia o custo final do DDG. Por isso, ainda é prematuro atribuir ao crescimento das exportações uma pressão generalizada sobre os preços pagos pelos pecuaristas. O aumento dos volumes embarcados, por si só, não indica necessariamente um mercado doméstico mais restrito. Para acompanhar o equilíbrio entre oferta e demanda, é importante observar a relação entre os preços do DDG e do milho. Caso as exportações continuem avançando sem que o coproduto perca competitividade em relação ao cereal, haverá indicativo de que a expansão da produção de etanol está acrescentando oferta suficiente para abastecer os mercados interno e externo. Uma eventual valorização do DDG também não significa necessariamente aumento proporcional dos custos de alimentação dos bovinos. Os pecuaristas podem reformular as rações, utilizando maior participação de milho como fonte de energia e farelo de soja ou outros ingredientes para recompor o teor proteico.

A substituição, entretanto, não ocorre necessariamente na mesma proporção, uma vez que o DDG fornece diferentes nutrientes simultaneamente. A decisão dos produtores depende do custo total da dieta e do desempenho dos animais, e não apenas do preço individual de cada ingrediente. Para 2027, a StoneX projeta que a China continuará sendo um mercado importante para o DDG brasileiro, embora a regularidade das compras e a competitividade do produto precisem ser acompanhadas. O crescimento das exportações representa uma oportunidade para as usinas ampliarem a receita obtida com os coprodutos do etanol de milho, mas também exige atenção ao abastecimento da pecuária nacional. O cenário considerado mais favorável combina expansão da capacidade de produção de etanol, melhoria da logística e manutenção de preços competitivos para os consumidores brasileiros. A continuidade do crescimento da demanda externa deverá ocorrer em paralelo ao aumento da capacidade produtiva, preservando o equilíbrio entre os mercados interno e externo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.