03/Nov/2026
Influenciados pela valorização do dólar e pela alta das cotações nos portos, os preços do milho no mercado brasileiro registram alta. Esse cenário é reforçado pela retração de parte dos vendedores, que estão atentos às incertezas quanto à reforma tributária. Os compradores, por sua vez, negociam apenas lotes pontuais, conforme as necessidades de abastecimento, à espera de oportunidades mais atrativas. De modo geral, apesar dos avanços, o ritmo de negociação está lento. O Indicador ESALQ/BM&F registra alta de 2,1% nos últimos sete dias, a R$ 65,59 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os valores apresentam alta de 1,2% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,1% no mercado de lotes (negociação entre empresas). As cotações do cereal nos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP) registram avanço de 5% e 3,65% nos últimos sete dias, respectivamente. Com esses aumentos expressivos, os preços em ambos os portos superaram o Indicador (Campinas - SP) nos dias 26, 27 e 28 de outubro.
Na B3, os contratos futuros do milho também estão em alta, em meio à alta da moeda norte-americana. O contrato Nov/26 tem avanço de 2,6% nos últimos sete dias, a R$ 67,28 por saca de 60 Kg, enquanto o contrato Jan/27 registra alta de 0,1%, para R$ 70,51 por saca de 60 Kg. Apesar da recuperação semanal, os preços acumularam quedas em outubro (até o dia 29), refletindo a pressão observada ao longo do mês passado. Nesse período, o Indicador ESALQ/BM&F recuou 4,5%, enquanto na média das regiões acompanhadas as baixas foram de 5,73% no mercado de balcão e de 4,12% no mercado de lotes. Mesmo com a elevação nos portos, os embarques brasileiros de milho ainda estão abaixo do volume registrado em outubro do ano passado. Na parcial de outubro (considerando-se 16 dias úteis), os envios totalizaram 4,15 milhões de toneladas, volume equivalente a 63,91% do exportado em todo o mês de outubro de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura do milho safra de verão (1ª safra 2026/2027) atingiu 40% da área total até 23 de outubro, avanço semanal de 4%. Dentre as regiões, Goiás registrou o progresso mais intenso na semana, de 7%, alcançando 12% da área prevista. Em Minas Gerais, a semeadura progrediu 6,8%, para 13,5%, e, na Bahia, 6%, para 8%. Em São Paulo, os trabalhos atingiram 16% da área, aumento de 4%. No Paraná, as atividades somam 94% da área estimada, conforme dados do Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) do dia 26 de outubro, contra 86% na semana anterior. Das lavouras semeadas, 78% estão em condições boas, 20%, em médias e 2% estão ruins. O Deral/Seab elevou a estimativa de produção estadual, de 4,07 milhões para 4,08 milhões de toneladas. No Rio Grande do Sul, segundo a Emater-RS, a maior parte das lavouras está em desenvolvimento vegetativo (95%), e, até o dia 29 de outubro, a semeadura havia alcançado 80% da área prevista.
O avanço da colheita norte-americana, que amplia a disponibilidade do cereal, pressiona os contratos futuros do milho na Bolsa de Chicago. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita atingiu 60% da área até 25 de outubro, avanço semanal de 16%., mas ainda abaixo dos 66% da média dos últimos cinco anos. Das lavouras, 56% estavam em condições boas ou excelentes, 26%, regulares e 18%, ruins ou muito ruins. Nesse contexto, o contrato Dez/26 registra desvalorização de 2,01% nos últimos sete dias, indo para US$ 4,51 por bushel. O contrato Mar/27 apresenta recuo de 2% na mesma comparação, passando para US$ 4,64 por bushel. Segundo o USDA, a produção argentina de milho na safra 2026/27 deve atingir 62 milhões de toneladas, aumento de 1,5 milhão frente à projeção de julho. A revisão reflete a expectativa de maior produtividade, associada à maior participação dos plantios antecipados, favorecidos pela maior umidade do solo. As exportações foram estimadas em 43 milhões de toneladas, potencialmente o segundo maior volume já registrado pelo USDA.
A demanda deve permanecer firme, sobretudo se a guerra entre Rússia e Ucrânia continuar restringindo a oferta de países concorrentes. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a semeadura na Argentina atingiu 47,3% da área prevista até 28 de outubro, avanços de 7,5% na semana e de 12,3% frente à temporada anterior. Apesar das baixas temperaturas e da pouca radiação solar, que têm retardado o desenvolvimento das plantas, as lavouras, de modo geral, apresentam condições de normais a boas. Quanto à safra 2025/26, a Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) destaca o ritmo recorde das exportações de milho, que podem atingir 34,2 milhões de toneladas entre março e outubro. Somente em outubro, considerando-se os volumes já embarcados e a programação dos navios, os envios podem alcançar 3,9 milhões de toneladas, 67% acima da média para o mês. Para toda a temporada, a perspectiva é de que as exportações alcancem 45 milhões de toneladas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.