03/Nov/2026
Segundo a AgResource, a China já comprou cerca de 19,2 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos e ainda precisa adquirir aproximadamente 5,8 milhões de toneladas para completar o compromisso de 25 milhões de toneladas. As compras pendentes, somadas ao risco de tempo seco em Mato Grosso, reforçam a avaliação da de que os preços dos grãos podem estar próximos de um piso, ou já tê-lo alcançado, após as quedas registradas em outubro. No Brasil, a AgResource ainda não alterou suas estimativas de produtividade da soja, por considerar prematuro revisar os números. As previsões de temperaturas elevadas e pouca chuva na metade norte do País em novembro estão associadas ao El Niño. Os modelos meteorológicos indicam precipitações reduzidas nas próximas duas semanas, especialmente em Mato Grosso e na Amazônia.
Em Mato Grosso, os volumes previstos para a primeira quinzena de novembro variam de 25 a 51 milímetros, ante média histórica de aproximadamente 216 milímetros para o mês inteiro. Como a expansão da área plantada brasileira deve ser limitada, o crescimento da produção nacional dependerá principalmente de ganhos de produtividade, o que amplia a importância das condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras. Nos Estados Unidos, a AgResource estima que a produtividade da soja possa superar a projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Com a oleaginosa cotada a US$ 12,20 por bushel, o preço não representa um nível elevado para os consumidores. A recente desvalorização dos grãos refletiu os dados de oferta e demanda do USDA, a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial, considerada uma surpresa, e a desvalorização do Real.
Milho e trigo apresentam níveis excessivos de venda, caracterizados por quedas muito rápidas das cotações. A análise considera o índice de força relativa (RSI), indicador técnico que mede a intensidade das oscilações de preços. Desde 1980, episódios de leitura extrema do indicador foram seguidos por aproximadamente 30 dias de estabilidade ou por recuperações mais rápidas. A AgResource, entretanto, ainda não adota uma perspectiva altista antes de obter maior clareza sobre o desempenho das safras sul-americanas e a demanda chinesa. No mercado de milho, a estimativa de produtividade norte-americana pode ficar cerca de 0,19 tonelada por hectare abaixo da projeção do USDA. Os fundos de investimento devem ter liquidado até 90% de suas posições líquidas compradas nas últimas quatro semanas, movimento que considera próximo do esgotamento. Com o cereal cotado a US$ 4,50 por bushel, abaixo da média dos últimos dez anos, os preços não são considerados elevados.
As margens de processamento estão acima da média, enquanto a demanda dos segmentos de alimentação animal e etanol pode sustentar as compras industriais. O México precisa importar entre 26 milhões e 27 milhões de toneladas de milho dos Estados Unidos por ano e havia adquirido 9 milhões de toneladas até 22 de outubro. Na Europa, as compras do cereal norte-americano somavam aproximadamente 1,3 milhão de toneladas até o fim de outubro. As aquisições europeias podem alcançar entre 8,9 milhões e 10,2 milhões de toneladas, em linha com o volume do ano passado. A maior parte dessas compras ainda está por ocorrer, em um período historicamente favorável às cotações do milho, entre novembro e abril ou maio. No mercado de trigo, a China vem consultando preços do cereal norte-americano, movimento que pode anteceder novas compras.
A China possui compromissos proporcionais de aquisição de produtos dos Estados Unidos até o fim do ano. O USDA costuma subestimar o comércio mundial de trigo em suas projeções de outubro, com diferenças de 10 milhões a 20 milhões de toneladas em relação aos volumes finais. Os principais exportadores ainda deverão embarcar aproximadamente 130 milhões de toneladas entre novembro e junho. Caso Rússia e Ucrânia continuem enfrentando dificuldades para escoar a produção pelo Mar Negro, a demanda poderá ser direcionada à União Europeia, ao Canadá, à Austrália, à Argentina e, eventualmente, aos Estados Unidos, sobretudo se a China ampliar as compras de trigo norte-americano. Os preços perderam o prêmio de risco associado à guerra no Mar Negro, apesar da continuidade do conflito. A cotação do petróleo Brent acima de US$ 100,00 por barril tende a ampliar a demanda por energia produzida a partir de culturas agrícolas nos Estados Unidos, especialmente milho e biocombustíveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.