03/Nov/2026
Segundo o Itaú BBA, as chuvas previstas para o início de novembro serão decisivas para preservar o potencial produtivo da soja brasileira na safra 2026/27 e evitar que problemas no desenvolvimento das lavouras comprometam o calendário de plantio do milho e do algodão de 2ª safra de 2027. A perda recente de umidade em partes do Centro-Oeste, combinada à perspectiva de precipitações irregulares durante o verão, mantém as condições climáticas como principal risco para a produção, mesmo após a recuperação do atraso inicial da semeadura. Os modelos meteorológicos indicam aumento da abrangência e do volume das chuvas entre 29 de outubro e 12 de novembro. A expectativa é de recomposição da umidade do solo e de condições favoráveis ao desenvolvimento inicial da soja no Centro-Oeste, embora a distribuição das precipitações deva continuar desigual, sobretudo no Norte do País.
A confirmação das chuvas previstas para o início de novembro poderá reduzir a necessidade de replantio nas próximas semanas. Para os dez dias seguintes a 30 de outubro, caso as precipitações se confirmem, as áreas que já apresentam sinais de deficiência hídrica poderão retomar o crescimento sem prejuízos relevantes ao calendário agrícola. Os riscos climáticos, contudo, permanecem após as chuvas previstas para as próximas duas semanas. Para o período de novembro a fevereiro, as projeções indicam maior propensão a volumes acima da média no Sul e precipitações mais irregulares em áreas do Centro-Norte brasileiro. Esse contraste poderá provocar diferenças regionais no desenvolvimento da soja e no ritmo de liberação das áreas destinadas à 2ª safra de 2027. Apesar das incertezas, o cenário-base continua sendo de uma nova boa safra brasileira de soja.
Um dos principais desdobramentos está em Mato Grosso, onde boa parte das lavouras de soja é sucedida pelo cultivo de milho ou algodão. A soja semeada até o fim de outubro tende a ser colhida em tempo de preservar o período preferencial de plantio dessas culturas. Se a semeadura avançar para novembro, a colheita poderá ficar mais concentrada e reduzir o intervalo disponível antes do enfraquecimento sazonal das chuvas. A antecipação do calendário ganha importância adicional neste ciclo por causa do El Niño. Em Goiás e Mato Grosso do Sul, onde a estação chuvosa tende a perder força mais cedo do que em áreas do Sul, o custo de uma semeadura tardia pode ser elevado. O fenômeno costuma estar associado ao encerramento antecipado das precipitações em partes do Cerrado, o que pode deixar uma parcela maior do desenvolvimento do milho exposta a condições de falta de umidade.
Caso a janela da 2ª safra de 2027 fique mais estreita, os produtores poderão ter de escolher entre manter a área planejada de milho e algodão, assumindo maior risco climático, reduzir o plantio ou optar por culturas mais resistentes à falta de água. Nesse contexto, recuperar parte da semeadura da soja ainda em outubro oferece maior proteção do que implantar a mesma área posteriormente. O avanço da oleaginosa determina não apenas a data da colheita, mas também o tempo disponível para o desenvolvimento do milho e do algodão antes da redução das precipitações. No Paraná, o principal risco é distinto. A maior regularidade das chuvas favoreceu a implantação da soja durante boa parte de outubro, mas o excesso de precipitação provocou desaceleração recente dos trabalhos e preocupação com possíveis replantios. Entretanto, o impacto sobre a janela do milho de 2ª safra de 2027 tende a ser menor do que em outras regiões, porque o Estado dispõe de um período de plantio mais longo.
No Rio Grande do Sul, a semeadura ainda está no início da janela habitual, com condições de umidade mais confortáveis do que no Centro-Oeste. Na Bahia, em Tocantins e no Maranhão, o avanço das lavouras dependerá da consolidação das chuvas. A distribuição irregular das precipitações poderá provocar novas interrupções no plantio, enquanto Minas Gerais e São Paulo apresentam evolução mais próxima do padrão sazonal. Em Mato Grosso do Sul e Goiás, o desafio será manter a frequência das chuvas, uma vez que intervalos quentes e secos podem reduzir a umidade superficial e dificultar o desenvolvimento uniforme das plantas, inclusive nas áreas já semeadas. O plantio brasileiro se aproximou de metade da área prevista em outubro, em ritmo superior ao registrado nas últimas cinco safras, após a retomada das precipitações no Brasil Central.
Em Mato Grosso, a aceleração dos trabalhos na segunda metade do mês permitiu preservar, até o momento, a janela considerada ideal para o milho e o algodão. O desempenho é mais favorável do que o observado em 2015/16 e ligeiramente superior ao de 2023/24, ciclos também marcados pelo El Niño. Houve relatos pontuais de replantio no Estado, mas ainda limitados e sem comprometimento do potencial produtivo, segundo o banco. A confirmação das chuvas previstas para o início de novembro será determinante para consolidar o desenvolvimento inicial das lavouras. Caso as precipitações ocorram conforme indicado pelos modelos meteorológicos, as plantas submetidas à falta de umidade poderão recuperar o vigor, preservando as perspectivas de produtividade da soja e a programação de implantação da 2ª safra de 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.