13/Oct/2026
Os preços domésticos do milho continuam em baixa, em um cenário de forte desvalorização do dólar frente ao Real e da retração de compradores. Além disso, a queda nos preços internacionais (o que reduz a paridade de exportação), a produção 2025/26 recorde no Brasil e as exportações em ritmo abaixo do observado na temporada passada também influenciaram as baixas. Com as vendas externas enfraquecidas e o bom andamento da semeadura da safra de verão (1ª safra 2026/2027), os compradores estão na expectativa de baixas ainda mais expressivas nos próximos dias. Porém, vale lembrar que parte desses agentes já tem buscado realizar compras para entrega nos próximos meses, com a finalidade de manter estoques confortáveis. Do lado da venda, apesar da prioridade às atividades de campo, os produtores estão mais flexíveis nas negociações, seja em valores, prazos de pagamento ou de entrega. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra queda de 2% nos últimos sete dias, a R$ 67,18 por saca de 60 Kg.
Nos últimos sete dias, as baixas são de 4,3% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 3,4% no mercado de lotes (negociação entre empresas), com retrações mais intensas nas regiões de Maracajú (MS), Rio Verde (GO), Oeste do Paraná, Sorriso (MT) e Itapeva (SP), de 3,4%, 5%, 4,8%, 11% e 3,7%, respectivamente. O dólar se desvalorizou 3,7% frente ao Real no mesmo comparativo, levando os preços nos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP) a recuar 10% e 7,5%, respectivamente. Na B3, os vencimentos futuros estão em baixa, influenciados pelas quedas internacionais e pelas expectativas favoráveis quanto à próxima safra. Os vencimentos Nov/26 e Jan/27 estão cotados a R$ 69,51 por saca de 60 Kg e a R$ 73,89 por saca de 60 Kg, com retrações de 3,6% e de 3,4%, respectivamente, nos últimos sete dias. O contrato Mar/27 tem baixa de 2,2% no mesmo período, a R$ 77,42 por saca de 60 Kg. Em setembro, as exportações brasileiras de milho somaram 5,21 milhões de toneladas, 12% acima do volume de agosto, mas 31% abaixo do de setembro/25, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
De fevereiro a setembro/26, os embarques totalizam 15,46 milhões de toneladas, sendo que a maior parte desse volume (9,8 milhões de toneladas) foi exportada em apenas dois meses (agosto e setembro). No entanto, ainda restam 28,5 milhões de toneladas para atingir o estimado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de 43,9 milhões de toneladas, o que exigiria embarques médios de 7,1 milhões de toneladas entre outubro e janeiro, o que ainda não ocorreu em nenhum mês deste ano. A semeadura da safra de verão (1ª safra 2026/2027) segue favorecida pelas boas condições climáticas na Região Sul do Brasil, chegando a 30,8% da área nacional, avanço semanal de 3,3% e acima da média dos últimos cinco anos, de 27,9%, segundo a Conab. No Paraná, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), o avanço da semeadura ocorre conforme a redução na intensidade das chuvas. Até o dia 5 de outubro, 80% das lavouras haviam sido semeadas, aumento semanal de 8%.
Em Santa Catarina, os produtores estão receosos com a incidência de cigarrinha-do-milho, percevejos e lagarta-do-cartucho. A semeadura chegou a 65% da área estadual até o dia 2 de outubro, segundo a Conab. No Rio Grande do Sul, a semeadura teve ritmo mais lento na semana passada, devido à elevada umidade do solo e às chuvas intensas, que chegaram a prejudicar parte das lavouras em Santa Rosa e Ijuí. Assim, 75% da área estimada para o milho foi semeada, avanço de apenas 2% em relação à semana anterior, e 3% acima do verificado em 2025, segundo a Emater-RS. Nos Estados Unidos, os vencimentos são pressionados pelo clima favorável ao avanço da colheita e pelas vendas externas anuais 33% inferiores. No entanto, as quedas são limitadas pela piora das lavouras que estão para ser colhidas. Neste contexto, na Bolsa de Chicago, o vencimento Dez/26 está cotado a US$ 5,00 por bushel, recuo de 0,4% nos últimos sete dias. O contrato Mar/27 tem baixa de 0,3%, a US$ 5,15 por bushel.
Quanto às lavouras nos Estados Unidos, de acordo com o relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país colheu 23% do total da área até o dia 4 de outubro, percentual inferior aos 27% da média dos últimos cinco anos, mas com avanço de 5% em relação à semana anterior. Quanto às condições das lavouras, 54% delas estão boas ou excelentes, baixa de 3% ante à semana anterior. Na Argentina, segundo informativo da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, 29,9% da área nacional havia sido implantada até o dia 8 de outubro. Na sexta-feira (09/10), o USDA divulgou novo relatório de oferta e demanda apontando elevação dos estoques finais mundiais do cereal para a temporada 2026/27. Agora, a estimativa é de 280,44 milhões de toneladas, acima dos 272,1 milhões de toneladas projetados em setembro, mas ainda inferior às 307,16 milhões de toneladas da temporada anterior. Esse aumento ocorreu sobretudo pelo ajuste nos estoques iniciais da temporada e pela melhora da produção nos Estados Unidos, que, por sua vez, reflete a maior produtividade. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.