13/Oct/2026
O custo total de produção de milho por hectare é menor no Brasil do que nos Estados Unidos, mas a maior produtividade norte-americana reduz parte dessa vantagem quando a comparação considera o custo por saca de 60 Kg. Em Mato Grosso, onde predomina o milho de 2ª safra, o custo por hectare ficou abaixo da metade do registrado no Heartland, região produtora dos Estados Unidos, na média de 2023 a 2025. Na comparação nacional, entretanto, o custo por saca foi levemente superior no Brasil. A análise integra estudo do Serviço de Pesquisa Econômica (ERS), do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No Heartland, o custo total de produção foi estimado em US$ 951,82 por acre, equivalente a aproximadamente US$ 2.352,00 por hectare. Em Mato Grosso, o custo alcançou US$ 420,57 por acre, ou US$ 1.039,00 por hectare. Na média nacional, o custo ficou em cerca de US$ 2.201,00 por hectare nos Estados Unidos e US$ 1.169,00 por hectare no Brasil.
As diferenças regionais estão relacionadas principalmente aos custos da terra, de máquinas e equipamentos e de fertilizantes. No Heartland, o custo atribuído à terra foi de aproximadamente US$ 565,00 por hectare, ante US$ 152,00 por hectare em Mato Grosso. No caso brasileiro, o valor considera a utilização da área pelo milho de 2ª safra. Os gastos com máquinas e equipamentos foram estimados em US$ 421,00 por hectare na região norte-americana e US$ 167,00 por hectare em Mato Grosso. O custo com fertilizantes também foi superior no Heartland, alcançando cerca de US$ 430,00 por hectare, em comparação com US$ 205,00 por hectare em Mato Grosso. Segundo o USDA, o milho de 2ª safra se beneficia do cultivo após a soja, que deixa nutrientes no solo e reduz parte da necessidade de adubação da cultura subsequente. Esse sistema de produção tem papel central na competitividade brasileira. Entre 76% e 80% do milho produzido no País corresponde à 2ª safra, semeada após a colheita da soja.
Em 2025, 83% da área brasileira de milho estava inserida em sistemas de dupla safra. A expansão desse modelo permitiu ao Brasil produzir duas culturas na mesma área ao longo de um ano e reduzir a parcela do custo da terra atribuída ao milho. Em contrapartida, a semeadura depende de uma janela relativamente estreita após a retirada da soja, e a produtividade apresenta maior variabilidade. A vantagem brasileira no custo por hectare diminui quando se considera o rendimento das lavouras. Entre 2023 e 2025, o Heartland registrou produtividade média de 13,1 toneladas por hectare ou 218 sacas de 60 Kg por hectare. Em Mato Grosso, o rendimento foi de 7,7 toneladas por hectare ou 128 sacas de 60 Kg por hectare. Na média nacional, a produtividade alcançou aproximadamente 12,1 toneladas por hectare nos Estados Unidos e 6,1 toneladas por hectare no Brasil. Considerando o custo por saca de 60 Kg, o Heartland apresentou valor médio de US$ 10,79, enquanto Mato Grosso registrou US$ 8,15.
Na comparação entre os países, porém, o resultado foi diferente: o custo médio ficou em US$ 10,98 por saca de 60 Kg nos Estados Unidos e US$ 11,53 por saca de 60 Kg no Brasil. A maior produtividade norte-americana, portanto, compensa parte da diferença de custos operacionais e de estrutura produtiva observada por hectare. Os preços recebidos pelos produtores também influenciaram os resultados econômicos. Entre 2023 e 2025, o preço médio no Heartland foi de US$ 4,25 por bushel, equivalente a aproximadamente US$ 10,04 por saca de 60 Kg. Em Mato Grosso, o valor alcançou US$ 4,17 por bushel, ou US$ 9,85 por saca de 60 Kg. Na média nacional brasileira, o preço foi menor, a US$ 7,96 por saca de 60 Kg. Após a dedução de todos os custos econômicos, Mato Grosso apresentou retorno positivo de US$ 0,72 por bushel, equivalente a aproximadamente US$ 1,70 por saca de 60 Kg. No Heartland, o resultado foi negativo em US$ 0,32 por bushel, ou US$ 0,76 por saca de 60 Kg.
Quando considerados apenas os custos operacionais, os retornos ficaram próximos, em cerca de US$ 4,94 por saca de 60 Kg em Mato Grosso e US$ 4,72 por saca de 60 Kg no Heartland. Na comparação nacional, os Estados Unidos apresentaram resultados superiores. Após a contabilização de todos os custos, o retorno foi negativo em aproximadamente US$ 0,90 por saca de 60 Kg no país, ante perda de US$ 3,57 por saca de 60 Kg no Brasil. Considerando apenas os custos operacionais, o retorno norte-americano foi de cerca de US$ 4,51 por saca de 60 Kg, enquanto o brasileiro ficou em US$ 1,37 por saca de 60 Kg. O estudo atribui a competitividade dos resultados norte-americanos à combinação de produtividade mais elevada e preços recebidos maiores no período de 2023 a 2025. O calendário de produção brasileiro também influencia a dinâmica do comércio internacional. Como a colheita do milho de 2ª safra ocorre mais tarde, as exportações brasileiras se concentram entre setembro e janeiro, período que coincide com os embarques dos Estados Unidos.
Segundo o USDA, essa sobreposição sazonal amplia a concorrência entre os dois países e pressiona os preços do milho americano durante a colheita. O estudo também compara a rotação entre soja e milho no Heartland com o cultivo das duas culturas no mesmo ano agrícola em Mato Grosso. No exercício referente à safra 2024/25, o sistema mato-grossense apresentou receita bruta equivalente a aproximadamente US$ 2.835,00 por hectare e custo total de US$ 2.217,00 por hectare, resultando em saldo positivo de US$ 617,00 por hectare. No Heartland, a receita foi estimada em US$ 1.754,00 por hectare, ante custo de US$ 2.027,00 por hectare, o que resultou em saldo negativo de US$ 273,00 por hectare. A simulação tem caráter ilustrativo e não permite concluir que um sistema será necessariamente mais rentável do que o outro em todas as condições de mercado e produção. Há limitações metodológicas que precisam ser consideradas na interpretação dos resultados.
O USDA reconhece que os custos do milho de 2ª safra podem estar subestimados, uma vez que parte das despesas com terra, máquinas e operações é compartilhada com a soja e precisa ser distribuída entre as duas culturas. O estudo também ressalta que não tem como objetivo estabelecer diferenças precisas de custos entre os países. Os dados norte-americanos de 2023 a 2025 representam atualizações do levantamento de custos de milho publicado pelo USDA em 2021, com revisão dos preços e da produção, mas mantendo os coeficientes de uso de insumos e a tecnologia considerados naquele ano. Brasil e Estados Unidos responderam conjuntamente por 58% do comércio mundial de milho na safra 2025/26. Os embarques americanos totalizaram 86 milhões de toneladas, enquanto as exportações brasileiras alcançaram 42 milhões de toneladas. A participação combinada reforça a relevância dos dois países na formação da oferta global e evidencia como diferenças de produtividade, custos de produção e calendário de comercialização influenciam a competitividade no mercado internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.