13/Oct/2026
O plantio de soja e de milho safra de verão (1ª safra 2026/2027) no Brasil avança em ritmo normal ou levemente adiantado, sem sinais, até o momento, de atrasos que possam comprometer o calendário de semeadura do milho de segunda safra. A avaliação da StoneX aponta, porém, para a necessidade de monitoramento das condições climáticas em novembro, quando os modelos de previsão indicam menor volume de chuvas em Mato Grosso, principal Estado produtor de soja do País. As projeções indicam precipitações em Mato Grosso entre ligeiramente abaixo da média histórica e próximas da normalidade nas próximas semanas. As áreas com maior sinalização de tempo seco estão concentradas no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), região que não corresponde ao principal núcleo produtor de soja do Brasil. A incerteza aumenta nas previsões de prazo mais longo, especialmente em relação à definição do limite entre condições normais e volumes abaixo da média em novembro. Desvios percentuais negativos de precipitação nem sempre representam risco imediato para as lavouras.
Em regiões com regime pluviométrico elevado, volumes inferiores à média histórica ainda podem ser suficientes para manter condições adequadas ao desenvolvimento das culturas. O principal fator de atenção, portanto, será a distribuição das chuvas e sua capacidade de atender às necessidades hídricas das lavouras ao longo do avanço do plantio. O volume de precipitações acumulado antes da semeadura contribui para sustentar o cenário inicial favorável. Setembro foi o mês mais chuvoso desde 2009 no Centro-Oeste, principal região produtora do País. No Centro-Sul, o volume foi o maior para setembro desde 2000, enquanto, na Região Sul, foi o mais elevado desde 2009. No Norte e no Nordeste, regiões em que o fenômeno El Niño costuma favorecer condições mais secas nesta fase do ciclo agrícola, setembro registrou o maior volume de chuvas em quatro anos. Apesar do resultado, os acumulados permaneceram baixos, entre 25 e 30 milímetros. O El Niño está em intensidade recorde para esta época do ano, mas ainda não provocou impactos negativos sobre o início da temporada agrícola brasileira.
O avanço do plantio sem atrasos relevantes reduz, por enquanto, o risco de comprometimento do calendário da 2ª safra de 2027. A principal preocupação inicial era que a demora na semeadura da soja pudesse deslocar a janela de plantio do milho, expondo a cultura a condições climáticas menos favoráveis. Até o momento, esse cenário não se materializou, embora a evolução das chuvas em Mato Grosso durante novembro permaneça como variável importante para a continuidade do calendário agrícola. No relatório mensal de oferta e demanda (Wasde), divulgado na sexta-feira (09/10), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manteve as estimativas de produção brasileira para a safra 2026/27 em 186 milhões de toneladas de soja e 139 milhões de toneladas de milho. O órgão norte-americano tende a preservar as projeções para a América do Sul nesta etapa inicial do ciclo, evitando revisões antes que o desenvolvimento das lavouras e as condições climáticas forneçam evidências suficientes para alterações nas estimativas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.