13/Oct/2026
Segundo a Stonex, o avanço das exportações brasileiras de sorgo para a China amplia a concorrência com os Estados Unidos e coloca em dúvida o cumprimento da meta norte-americana de embarques na safra 2026/27. A avaliação considera que a retração de aproximadamente 90% nas vendas e nos embarques dos Estados Unidos ocorre simultaneamente à expansão da presença brasileira no mercado chinês, principal destino mundial do cereal. Em setembro, o Brasil embarcou cerca de 570 mil toneladas de sorgo, praticamente todo o volume destinado à China. Nos últimos dois meses, as exportações brasileiras superaram o total acumulado nos 271 meses anteriores, equivalentes a aproximadamente 22 anos e meio. A ausência de retomada das compras chinesas de sorgo norte-americano representa um fator de risco para as projeções de demanda externa dos Estados Unidos. De janeiro a setembro, as exportações brasileiras de sorgo somaram 790,8 mil toneladas, ante apenas 105 toneladas no mesmo período de 2025, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A China recebeu 755,6 mil toneladas, correspondentes a 95,5% do total exportado pelo Brasil no período. Setembro concentrou mais de 72% dos embarques acumulados entre janeiro e setembro, evidenciando a aceleração recente do fluxo comercial. Para outubro, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta embarques brasileiros de 1,439 milhão de toneladas. Esse volume equivale a aproximadamente 35% das exportações de 4,06 milhões de toneladas previstas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para os norte-americanos durante toda a safra 2026/27. Caso se confirme, o resultado mensal reforçará a relevância crescente do Brasil no abastecimento do mercado chinês. A abertura comercial foi construída em menos de um ano. O protocolo fitossanitário para exportação de sorgo brasileiro à China foi assinado em novembro de 2024. Em novembro de 2025, o Ministério da Agricultura anunciou a habilitação de dez unidades brasileiras para atender ao mercado chinês.
Em janeiro de 2026, ocorreu a primeira exportação do cereal brasileiro à China desde 2014, inicialmente com um lote de apenas 25,8 toneladas. Em agosto, a Cofco International embarcou 69 mil toneladas no Porto de Santos, no primeiro grande carregamento brasileiro de sorgo destinado ao país asiático. A expansão brasileira ajuda a explicar a ausência de retomada das compras chinesas nos Estados Unidos. A China concentra mais de 80% das importações mundiais de sorgo, o que torna o acesso ao mercado chinês determinante para o desempenho exportador norte-americano. Dados da American Farm Bureau Federation indicam que as exportações dos Estados Unidos para a China recuaram 97% em 2025. A consolidação do Brasil como fornecedor alternativo reduz as perspectivas de recuperação da participação norte-americana e limita o potencial de crescimento de um dos produtos agrícolas dos Estados Unidos com maior capacidade de exportação, além da soja.
Apesar desse cenário, o USDA manteve em 4,06 milhões de toneladas a estimativa de exportações norte-americanas de sorgo em 2026/27, conforme o relatório mensal de oferta e demanda (Wasde) divulgado na sexta-feira (09/10). A projeção é considerada ambiciosa diante do ritmo atual das vendas e da concorrência brasileira no mercado chinês. O USDA também revisou para cima as estimativas de oferta nos Estados Unidos. A produção passou para 7,39 milhões de toneladas. Os estoques finais aumentaram para 660 mil toneladas. Em paralelo, o preço médio projetado ao produtor recuou de US$ 4,60 para US$ 4,50 por bushel. A combinação de maior produção e estoques finais mais elevados amplia a disponibilidade doméstica norte-americana, enquanto a capacidade de escoamento depende da recuperação da demanda externa. Nesse contexto, o desempenho das exportações brasileiras para a China e a eventual retomada das compras chinesas dos Estados Unidos serão determinantes para avaliar a consistência da projeção do USDA para a temporada 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.