ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

09/Oct/2026

Milho: etanol e Argentina reduzem exportação brasileira

O ritmo das exportações brasileiras de milho permanece fraco em 2026, apesar da boa produção, em razão do avanço do consumo interno, principalmente pela expansão do etanol de milho, e da maior concorrência da Argentina no mercado internacional. O aumento da demanda doméstica reduz a disponibilidade de milho para exportação e representa um dos principais fatores de pressão sobre a posição do Brasil entre os grandes fornecedores globais. O consumo interno brasileiro cresce ano após ano, impulsionado principalmente pelo setor de etanol de milho. O Outlook 2026 da StoneX estima que a utilização do cereal pelas usinas de etanol aumente mais de 5 milhões de toneladas na safra 2026/27, alcançando cerca de 30 milhões de toneladas. Esse avanço amplia a absorção doméstica e reduz o volume de milho que poderia ser direcionado ao mercado externo, representando o risco mais concreto para a manutenção do Brasil como segundo maior exportador mundial.

No mercado internacional, a Argentina ampliou significativamente sua oferta. O país colheu mais de 60 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26, superando pela primeira vez esse patamar e aumentando sua competitividade frente aos demais exportadores. A expansão argentina já afeta outras origens, incluindo o Brasil e, em menor intensidade, os Estados Unidos. Para a safra 2026/27, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires projeta produção argentina ainda maior, com área cultivada estável e condições de chuvas favorecidas pelo El Niño. A competitividade do milho argentino também foi reforçada pela redução do imposto de exportação do cereal no início de 2026, ampliando a capacidade do país de disputar participação no comércio internacional. Nos Estados Unidos, a produção de milho deve ficar próxima de 400 milhões de toneladas, cerca de 30 milhões de toneladas abaixo do volume da temporada anterior. A redução da colheita tende a limitar a disponibilidade e reduzir os estoques norte-americanos.

Mesmo nesse cenário, a StoneX não projeta um retorno significativo da China às compras de milho dos Estados Unidos, apesar do fim da tarifa de 10% sobre o produto mencionado após o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. A menor participação chinesa no milho norte-americano está relacionada à competitividade de preços. O cereal dos Estados Unidos permanece mais caro que o de outras origens, enquanto a produção chinesa deve apresentar bom desempenho. Nesse contexto, os fundamentos econômicos não indicam, no horizonte atual, uma retomada relevante das compras chinesas de milho norte-americano. Com a colheita dos Estados Unidos em andamento, os preços do milho norte-americano podem recuar até o fim do ano. Esse movimento tende a aumentar a pressão competitiva sobre as origens sul-americanas, incluindo Brasil e Argentina, especialmente em um cenário de maior disponibilidade argentina e de crescimento da demanda doméstica brasileira para a produção de etanol. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.