ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

08/Oct/2026

Futuros do milho pressionados por colheita nos EUA

Os futuros de milho fecharam em baixa nesta quarta-feira (07/10) na Bolsa de Chicago, pressionados pelo clima favorável ao avanço da colheita no Meio Oeste dos Estados Unidos, após as chuvas terem atrasado os trabalhos nas últimas semanas. O vencimento dezembro recuou 6,00 cents, queda de 1,18%, e fechou a US$ 5,02 por bushel. A valorização do dólar ante o euro também pressionou os contratos, ao reduzir a competitividade do milho norte-americano e potencialmente desestimular as importações europeias. Os Estados Unidos vêm exportando volumes elevados de milho para a União Europeia, que enfrenta uma safra bastante reduzida após sucessivas ondas de calor em alguns países da região. Em agosto, os embarques de milho dos Estados Unidos para o bloco totalizaram 1,24 milhão de toneladas. No ano comercial 2025/26, as exportações alcançaram 7,9 milhões de toneladas, o maior volume desde 1983/84.

O mercado também passou por ajustes de posição antes da divulgação do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para esta sexta-feira (09/10). A expectativa é de redução da estimativa para a produção norte-americana de milho, de 430,0 milhões para 427,8 milhões de toneladas. O rendimento projetado deve recuar de 11,204 para 11,148 toneladas por hectare. Para os estoques domésticos ao fim do ano comercial 2026/27, iniciado em 1º de setembro, a expectativa é de elevação da estimativa para 42,60 milhões de toneladas, ante 39,80 milhões de toneladas, projetados em setembro. O aumento esperado está associado ao relatório trimestral divulgado no fim de setembro, que mostrou estoques de passagem significativamente acima das expectativas do mercado. A revisão para cima da produção de milho da Ucrânia também contribuiu para pressionar os contratos. A SovEcon elevou sua estimativa de produção do país de 32,8 milhões para 33,4 milhões de toneladas, ampliando a disponibilidade potencial no mercado internacional.

Os dados de produção e estoques de etanol nos Estados Unidos ficaram dentro das expectativas. O biocombustível é produzido principalmente a partir de milho no país, o que torna o nível de produção de etanol um importante componente da demanda pelo cereal. De acordo com a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos, a produção média de etanol aumentou 4,57% na semana encerrada em 2 de outubro, para 1,053 milhão de barris por dia. Os estoques do biocombustível recuaram 0,84% no período, para 23,7 milhões de barris. O mercado de milho permanece, assim, condicionado pela combinação entre o avanço da colheita nos Estados Unidos, as revisões de oferta do USDA, o elevado nível de estoques domésticos e a disponibilidade adicional da Ucrânia. Ao mesmo tempo, a demanda externa segue relevante, especialmente pelas compras da União Europeia, enquanto a evolução da produção de etanol sustenta parte do consumo interno norte-americano.