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07/Oct/2026

Exportação menor aumenta oferta no mercado interno

A perda de ritmo das exportações brasileiras de milho tende a aumentar a disponibilidade do cereal no mercado interno e pressionar os preços, apesar do crescimento da demanda das usinas de etanol. A Hedgepoint Global Markets reduziu de 41 milhões para 38 milhões de toneladas a projeção de embarques da safra 2025/26, principalmente em razão da menor demanda do Irã e da maior concorrência da Argentina no mercado internacional. A estimativa anterior de 41 milhões de toneladas estava vigente havia cerca de dois meses. Os embarques brasileiros ficaram abaixo dos registrados um ano antes em agosto e setembro, enquanto a programação de navios também indica volume inferior em outubro. Com menor saída para o mercado externo, uma parcela maior da produção permanece no Brasil, elevando a disponibilidade doméstica e aumentando a tendência de formação de estoques. O Irã, principal comprador do milho brasileiro no ano passado, reduziu as aquisições em meio aos impactos do conflito no Oriente Médio.

A demanda iraniana permanece existente, mas as dificuldades logísticas e comerciais relacionadas ao conflito limitam a chegada do produto ao destino. Ao mesmo tempo, a Argentina, beneficiada por uma safra elevada, ampliou a concorrência pelos compradores tradicionalmente atendidos pelo Brasil. O impacto sobre as cotações já é observado no mercado interno. Depois de registrarem alta até junho e julho, os preços do milho voltaram a recuar. Na ausência de um choque negativo de oferta no campo ou de uma valorização expressiva na Bolsa de Chicago, principal referência internacional para os preços dos grãos, a perspectiva é de continuidade da pressão baixista decorrente da maior disponibilidade doméstica. O mercado de etanol de milho funciona como principal fator de compensação para a menor demanda externa. Atualmente, a indústria brasileira utiliza entre 28,5 milhões e 29 milhões de toneladas de milho por ano, enquanto a Hedgepoint projeta consumo de 34 milhões de toneladas em 2026/27.

A estimativa já considera a confirmação definitiva do E32, mistura de 32% de etanol na gasolina, que amplia estruturalmente a demanda pelo cereal destinado à produção de biocombustíveis. O Brasil conta atualmente com 29 usinas de etanol de milho em operação e 27 projetos previstos. O aumento do número de plantas não significa necessariamente duplicação do volume processado, devido às diferenças de capacidade entre as unidades. Ainda assim, a expansão da indústria pode elevar o consumo de milho para patamares superiores a 50 milhões de toneladas, ampliando a importância da demanda doméstica na formação dos preços. A expansão do processamento interno tende a reduzir a dependência do mercado externo para o escoamento da produção brasileira. Com maior parcela do milho direcionada à indústria de etanol, o mercado doméstico ganha capacidade de absorver excedentes e pode oferecer sustentação adicional às cotações.

Esse processo também tende a melhorar a previsibilidade da demanda e pode estimular o produtor a ampliar a área cultivada. No mercado internacional, o balanço de oferta e demanda permanece mais apertado. A produção de milho dos Estados Unidos na safra 2026/27 é estimada entre 395 milhões e 400 milhões de toneladas, cerca de 7% abaixo das 430 milhões de toneladas produzidas no ciclo anterior. As exportações norte-americanas também devem recuar, de 87 milhões para 83 milhões de toneladas. Nesse cenário, as cotações do milho na Bolsa de Chicago próximas de US$ 5,00 por bushel são consideradas compatíveis com os fundamentos de oferta e demanda. A menor produção e a redução das exportações dos Estados Unidos limitam a disponibilidade no mercado internacional e funcionam como contraponto à pressão exercida sobre os preços brasileiros pela menor demanda externa. Para a safra brasileira 2026/27, a Hedgepoint projeta produção de 146,5 milhões de toneladas.

A avaliação sobre a 2ª safra de 2027 ainda é considerada prematura, dada a distância em relação ao período de definição das condições de plantio e desenvolvimento das lavouras. O período entre novembro e janeiro será particularmente relevante para o mercado brasileiro. A menor demanda iraniana e a concorrência argentina podem continuar limitando as exportações brasileiras, enquanto a capacidade de absorção do mercado interno, principalmente pela indústria de etanol, será determinante para evitar uma acumulação excessiva de estoques. A dinâmica do milho brasileiro passa, assim, por uma mudança estrutural. No curto prazo, a redução das exportações e a maior disponibilidade doméstica pressionam os preços, mas a expansão do etanol de milho cria uma nova fonte de demanda, reduz a dependência dos embarques externos e pode oferecer maior sustentação às cotações. A continuidade desse suporte dependerá da expansão do processamento interno, do comportamento das exportações e da evolução da produção nas próximas safras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.