07/Oct/2026
O consumo de milho em Mato Grosso deve superar as exportações pela primeira vez na série histórica acompanhada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), iniciada em 2022/23. Para a safra 2026/27, o consumo interno é estimado em 27,09 milhões de toneladas, alta de 16,20% ante 2025/26 e 9,59 milhões de toneladas acima das exportações, projetadas em 17,50 milhões de toneladas. O avanço do consumo reflete a continuidade da competitividade do milho na alimentação animal. Em 2022/23, Mato Grosso consumiu 15,08 milhões de toneladas e exportou 29,98 milhões de toneladas. Em 2025/26, as duas linhas do balanço se aproximaram, com consumo interno de 23,31 milhões de toneladas e exportações de 24,10 milhões de toneladas. Para 2026/27, a relação deve se inverter, com a demanda estadual assumindo maior participação na destinação da produção. As exportações de milho são projetadas em 17,50 milhões de toneladas, queda de 27,39% ante os 24,10 milhões de toneladas de 2025/26.
O fluxo interestadual, correspondente aos volumes enviados de Mato Grosso para consumo em outros Estados, também deve recuar, para 9,50 milhões de toneladas, redução de 13,64% em relação às 11,00 milhões de toneladas previstas para 2025/26. Com isso, a demanda total é estimada em 54,09 milhões de toneladas, 7,40% inferior à do ciclo anterior. No ciclo 2026/27, de julho a junho, o ritmo das exportações é um dos principais pontos de atenção. Os embarques no início da temporada estão abaixo dos registrados no mesmo período de 2025/26, em razão da menor competitividade do milho mato-grossense no mercado internacional. Como parcela relevante do escoamento ainda ocorrerá ao longo dos próximos meses, uma eventual recuperação das exportações poderá aproximar os embarques dos 24,10 milhões de toneladas projetados para 2025/26. Do lado da oferta, as estimativas para 2026/27 foram mantidas, com área cultivada de 7,48 milhões de hectares, crescimento de 0,59%, produtividade de 119,64 sacas por hectare, queda de 8,05%, e produção de 53,68 milhões de toneladas, recuo de 7,50% ante as 58,04 milhões de toneladas de 2025/26.
A manutenção da área é sustentada pela expectativa de ampliação da demanda doméstica, que tende a intensificar a disputa pelo cereal dentro do Estado e contribuir para a sustentação dos preços. Considerando o estoque inicial de 0,60 milhão de toneladas, a oferta total de milho em Mato Grosso deve alcançar 54,29 milhões de toneladas em 2026/27, redução de 8,01% em relação à temporada anterior. Com uma demanda elevada e uma oferta menor, o balanço estadual deve terminar o ciclo com estoques reduzidos. O estoque final de 2026/27 foi revisado para 199,93 mil toneladas, queda de 29,87% ante o relatório anterior e de 66,79% em relação a 2025/26. Esse volume corresponde a menos de dois dias da demanda total estimada para a safra. Para 2025/26, os estoques finais foram ajustados para 601,95 mil toneladas, recuo de 6,61% no mês e de 38,24% ante a temporada anterior. A revisão decorreu principalmente do aumento da projeção de consumo interno, que cresceu 0,18% no mês e 15,10% na comparação anual, impulsionado pelo maior uso do milho na formulação de ração animal, favorecido pela competitividade do cereal frente a outros insumos.
A produtividade de 119,64 sacas de 60 Kg por hectare para 2026/27 incorpora os riscos associados à precipitação, às temperaturas, à janela de semeadura e à influência do El Niño. A soja 2026/27, cultivada antes do milho de 2ª safra, está em fase inicial de plantio, e a combinação entre o ritmo de semeadura e as condições climáticas será determinante para definir a parcela do milho que poderá ser implantada dentro da janela considerada ideal. O cenário produtivo ainda não apresenta elementos suficientes para uma revisão das estimativas iniciais. A evolução da semeadura e do desenvolvimento da soja nos próximos meses deverá fornecer maior definição sobre as condições para implantação do milho de 2ª safra e, consequentemente, sobre o potencial produtivo e o balanço de oferta e demanda de Mato Grosso em 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.