07/Oct/2026
A expansão da produção de etanol de milho no Brasil pode encontrar limites na capacidade de absorção do mercado de combustíveis, exigindo uma desaceleração dos investimentos no setor à medida que novas unidades entrarem em operação. A avaliação considera o risco de a oferta de etanol superar a demanda, com potenciais impactos principalmente sobre as usinas de cana-de-açúcar caso os preços do açúcar permaneçam baixos. A expansão do etanol de milho já vem alterando a composição da produção brasileira. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção total de etanol alcançou 37,5 bilhões de litros na safra 2025/26, alta de 0,8%. A produção a partir do milho cresceu 29,8%, para 10,17 bilhões de litros, passando a representar pouco mais de 27% do total nacional. Em sentido contrário, a produção de etanol de cana recuou 6,9%, para 27,33 bilhões de litros.
A entrada de novas unidades de produção tende a ampliar a oferta em ritmo elevado, aumentando a necessidade de expansão dos mercados consumidores para evitar uma situação de excedente. A abertura de novos mercados pode contribuir para absorver parte desse crescimento, mas permanece a dúvida sobre a capacidade dessas novas utilizações de acompanhar a velocidade de expansão da produção. As projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que alguns desses mercados devem ganhar relevância ao longo da próxima década. No estudo sobre oferta de etanol e demanda até 2035, a EPE estima que a produção de combustível sustentável de aviação pela rota do etanol poderá consumir 900 milhões de litros em 2035 nos cenários de crescimento baixo e médio, enquanto no cenário de crescimento alto o consumo poderá alcançar 3,9 bilhões de litros. No transporte aquaviário, a projeção indica início do consumo em 2034, chegando a 65 milhões de litros em 2035.
No mercado de combustíveis rodoviários, a demanda por etanol hidratado permanece condicionada à competitividade em relação à gasolina. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que as vendas de etanol hidratado, utilizado diretamente pelos veículos, recuaram 5,9% em 2025 em razão da menor competitividade do produto. Ao mesmo tempo, a produção de etanol anidro, utilizado na mistura com a gasolina, cresceu 3,1%, movimento associado pela ANP à elevação do percentual de mistura de 27% para 30% em agosto de 2025. A expansão das usinas de etanol de milho também vem modificando a dinâmica de comercialização do cereal nas regiões próximas às plantas industriais. A indústria de etanol passou a exercer maior influência sobre a formação dos preços locais do milho, reduzindo o peso relativo das exportações na determinação das cotações em algumas áreas e contribuindo para estimular o plantio. A demanda das usinas também altera a dinâmica de utilização da infraestrutura logística brasileira.
Parte das exportações de milho atende à necessidade de manter portos, terminais, ferrovias e demais ativos logísticos em operação durante o terceiro e o quarto trimestres, período em que o volume de soja embarcado tende a diminuir. Nesse contexto, a utilização da estrutura logística pode assumir peso maior na decisão de exportar milho do que a própria atratividade econômica da operação no mercado externo. A perspectiva de novos projetos industriais mantém a demanda das usinas como um dos principais fatores de formação dos preços e das margens do milho nos próximos anos. O avanço do etanol de milho tende, portanto, a sustentar a demanda doméstica pelo cereal e a alterar a relação entre mercado interno e exportações, mas a continuidade da expansão dependerá da capacidade de crescimento do consumo de etanol e da abertura de novos mercados para absorver a oferta adicional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.