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07/Oct/2026

China reduz importações de milho norte-americano

A queda dos preços do milho na China com a entrada da nova safra, combinada à maior disponibilidade de cevada e sorgo importados, pode limitar eventuais compras do cereal dos Estados Unidos pelo país asiático. A avaliação considera a demanda doméstica mais fraca e a postura cautelosa das fábricas de ração diante do aumento da oferta interna. O milho teve participação relevante nas compras chinesas de produtos agrícolas dos Estados Unidos entre 2020 e 2022, período correspondente à Fase 1 do acordo comercial entre os dois países. Nas negociações realizadas em setembro de 2026, porém, não houve compromisso específico para aquisição de milho norte-americano, o que reduz a visibilidade para novos volumes no curto prazo. A pressão sobre os preços aumentou com o avanço da colheita doméstica. Dados do Grain & Oil News indicaram recuo das cotações na última semana de setembro nas quatro regiões acompanhadas.

No Nordeste da China, o aumento da umidade levou produtores a acelerar as vendas para reduzir o risco de perdas por mofo, enquanto comerciantes reduziram estoques e as fábricas de ração limitaram as aquisições aos volumes considerados necessários para suas operações. A maior disponibilidade de outros grãos também amplia as alternativas para alimentação animal e reduz a necessidade de importação de milho. A China importou 2,577 milhões de toneladas de grãos em agosto, das quais mais de 1,8 milhão de toneladas foram de cevada e sorgo. As importações de milho somaram 320 mil toneladas no mês, com a maior parte proveniente da Argentina. No Porto de Shekou, na província de Guangdong, os estoques de grãos importados alcançavam 318 mil toneladas, ante 196 mil toneladas de milho de origem doméstica.

A margem teórica de importação do milho dos Estados Unidos estava negativa em 84 yuans por tonelada, condição que reduz a atratividade econômica do produto norte-americano para compradores chineses. A combinação entre preços domésticos em queda, estoques elevados de grãos importados, maior oferta de substitutos e margem negativa para o milho dos Estados Unidos tende a limitar a disposição dos compradores chineses de ampliar as importações. A entrada de volumes expressivos do cereal norte-americano durante a colheita doméstica poderia aumentar ainda mais a disponibilidade interna e exercer pressão adicional sobre os preços recebidos pelos produtores chineses. A preocupação com a remuneração dos agricultores também influencia a estratégia de política agrícola e de segurança alimentar da China.

Discussões recentes classificaram o mercado de milho como em situação de equilíbrio rígido e defenderam a manutenção dos preços em níveis capazes de preservar a rentabilidade da produção doméstica. Como parte dessa estratégia, a Administração de Reservas de Alimentos e Commodities da China anunciou a intenção de comprar grãos para recompor os estoques estatais e orientar empresas a adquirir produto em regiões com preços mais baixos. A medida busca reduzir a pressão sobre as cotações durante o período de entrada da nova safra e contribuir para a estabilidade do mercado. Para o mercado internacional, a combinação entre maior oferta chinesa, preços domésticos mais baixos e disponibilidade de cevada e sorgo reduz o potencial de expansão da demanda chinesa por milho dos Estados Unidos. A ausência de compromisso específico nas negociações de setembro reforça a necessidade de uma recuperação da demanda ou de uma melhora da competitividade do produto norte-americano para sustentar novos fluxos de importação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.