05/Oct/2026
As cotações do milho registram recuo no mercado brasileiro, devido ao baixo interesse de compradores e à retração no mercado internacional. De modo geral, os compradores brasileiros seguem afastados das aquisições de novos lotes, visto que parte deles indica ter estoques para consumo imediato. Além disso, como as exportações brasileiras seguem inferiores ao ano passado, esses agentes acreditam que a oferta possa aumentar. Vale lembrar que, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção da safra 2025/26 deve ser recorde, totalizando 144 milhões de toneladas, apesar da redução na produtividade. Os produtores, por sua vez, priorizaram as atividades de campo nas últimas semanas, aproveitando os dias de chuva intercalados com sol, que beneficiam a semeadura do cereal da safra de verão. No entanto, esses agentes estão mais flexíveis nas negociações, seja com relação aos valores e/ou às condições de entrega e ao prazo de pagamento.
Nos últimos sete dias, as quedas são de 2% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,7% no mercado de lotes (negociação entre empresas). Considerando-se as importantes regiões produtoras que finalizaram a colheita recentemente, como Sorriso (MT), Dourados (MS) e Rio Verde (GO), as retrações são de 2%, 0,6% e 2,6%, respectivamente, no mesmo comparativo. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra baixa de 1,8% nos últimos sete dias, cotado a R$ 68,58 por saca de 60 Kg. Em setembro, o Indicador acumulou queda de 2,2%. Nos Estados Unidos, os vencimentos são pressionados pela baixa demanda internacional pelo cereal e pelo andamento da colheita. A retração é reforçada pela desvalorização do petróleo e pela divulgação do relatório trimestral de estoques de milho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Segundo o USDA, as reservas do cereal nos Estados Unidos em 1º de setembro foram de 53,21 milhões de toneladas, ante 39,40 milhões no mesmo período de 2025, e acima da média do esperado pelo mercado, que era de 48,87 milhões de toneladas.
Neste contexto, na Bolsa de Chicago, o vencimento Dez/26 está cotado a US$ 5,02 por bushel, queda de 4,8% nos últimos sete dias. O contrato Mar/27 apresenta recuo de 4,6% no mesmo período, a US$ 5,16 por bushel. As quedas externas pressionam os futuros na B3. Os vencimentos Nov/26 e Jan/27 estão cotados a R$ 72,12 por saca de 60 Kg e a R$ 76,52 por saca de 60 Kg, com baixas consideráveis de 5% e de 3,8%, respectivamente, nos últimos sete dias. O contrato Mar/27 tem baixa de 3,3%, a R$ 79,16 por saca de 60 Kg. O ritmo de embarques em setembro seguiu abaixo do observado no mesmo mês de 2025. Um dos fatores que explicam a demanda externa enfraquecida é a baixa atratividade do cereal brasileiro. Em setembro, os preços no Porto de Paranaguá (PR) estiveram 5% superiores aos da Argentina e 13% acima dos futuros da Bolsa de Chicago. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações nos primeiros 18 dias úteis de setembro somaram 4,59 milhões de toneladas, abaixo das 7,56 milhões embarcadas em setembro de 2025 (considerando-se 22 dias úteis).
Na safra 2025/26 (de fev/26 até a parcial de setembro/26), os embarques totalizaram aproximadamente 15 milhões de toneladas, abaixo dos 19,7 milhões do mesmo período da temporada anterior. Quanto às cotações, nos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), as quedas são de 1,6% e 3%, respectivamente, nos últimos sete dias. No Brasil, as recentes precipitações limitaram o ritmo da semeadura nas Regiões Sul e Sudeste. Até o dia 25 de setembro, as atividades alcançaram 29,1% da área nacional, avanço semanal de 7,7% e acima da média dos últimos cinco anos, de 24,5%, segundo os dados da Conab. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), no Paraná, a área semeada varia conforme as regiões, devido às interrupções causadas pelas chuvas. Com isso, até o dia 28 de setembro, 72% das lavouras haviam sido semeadas, forte avanço semanal de 16%. O Deral também revisou a estimativa de produção frente à temporada anterior. Apesar do aumento de 1% na área, a safra de verão (1ª safra 2026/2027) deve produzir 4,07 milhões de toneladas, leve queda de 2%, com produtividade 3% menor.
Em Santa Catarina, com a semeadura totalizando 83% da área estadual até o dia 25 de setembro (segundo a Conab), os produtores estão atentos à incidência de cigarrinha-do-milho, de percevejos e da lagarta-do-cartucho. No Rio Grande do Sul, a semeadura apresenta ritmo distinto dentre as regiões, variando conforme umidade, condições do solo e temperaturas. Assim, 73% da área estimada para o milho foi semeada, avanço de 5% em relação à semana anterior e ainda 4% acima do verificado em 2025, segundo a Emater-RS. Na Argentina, segundo informativo da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, 22,2% da área nacional foi implantada. Quanto às lavouras nos Estados Unidos, de acordo com o relatório semanal do USDA, o país colheu 18% do total da área até o dia 27 de setembro, percentual igual ao da média dos últimos cinco anos, mas com avanço de 5% em relação à semana passada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.