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05/Oct/2026

Prêmios reduzem competitividade do milho brasileiro

A retenção de milho no mercado interno por produtores rurais e a perda de competitividade do produto brasileiro frente ao milho argentino colocam em risco o cumprimento da meta de exportação de 38 milhões de toneladas na safra atual. No mercado físico, os produtores vêm postergando a comercialização de parte da produção, enquanto os prêmios do milho brasileiro em relação à Bolsa de Chicago permanecem acima dos praticados pela Argentina, reduzindo a capacidade do Brasil de disputar o mercado asiático. No norte de Mato Grosso, especialmente nas regiões de Sorriso e Sinop, a colheita da atual safra foi concluída com quase 75% da produção comercializada. O volume remanescente vem sendo retido pelos produtores como estratégia para preservar margens no mercado físico, onde o milho é negociado em torno de R$ 50,00 por saca de 60 Kg.

Para a safra 2026/27, o custeio em Sorriso é estimado em R$ 3.600,00 por hectare, enquanto a comercialização antecipada alcança aproximadamente 15% da produção. Para a safra 2026/27, projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam potencial produtivo de 148 milhões de toneladas de milho. A área da safra de verão (1ª safra 2026/2027) tem estimativa de crescimento de 10%, com produção potencial de até 32 milhões de toneladas. A área da 2ª safra de 2027 também tende a aumentar, mas a expectativa é de redução da produtividade em função das condições climáticas. As projeções climáticas elevam o grau de incerteza sobre o calendário agrícola. Dados da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam probabilidade superior a 90% de ocorrência de El Niño entre outubro e dezembro, com possibilidade de prolongamento até o primeiro trimestre de 2027.

O fenômeno pode atrasar o plantio e a colheita da soja e reduzir a janela ideal para a semeadura do milho de 2ª safra de 2027, aumentando o risco de perda de produtividade. Como mecanismos de proteção contra oscilações de preços e eventos climáticos, são recomendadas operações de trava de preços futuros na B3 e a contratação de seguro agrícola. No comércio exterior, os embarques brasileiros de milho somaram aproximadamente 4,5 milhões de toneladas em agosto, enquanto o line-up acumulava cerca de 16 milhões de toneladas. A competitividade do Brasil, entretanto, é prejudicada pelos prêmios elevados. O milho brasileiro apresenta prêmio entre US$ 1,20 e US$ 1,30 por bushel sobre a Bolsa de Chicago, enquanto o produto argentino trabalha com prêmio em torno de US$ 0,70 por bushel. A diferença de prêmios reduz a competitividade do milho brasileiro no mercado asiático, com exceção da Coreia do Sul, onde a demanda mantém espaço para o produto nacional.

A maior disponibilidade argentina e a estrutura de preços mais competitiva aumentam a pressão sobre os embarques brasileiros e dificultam o cumprimento da meta de 38 milhões de toneladas. No mercado doméstico, o setor de etanol de milho permanece como importante vetor de sustentação da demanda. As indústrias consumiram mais de 2,2 milhões de toneladas do cereal em agosto, com Mato Grosso respondendo por mais de 60% do processamento. A expansão do processamento interno contribui para absorver parte da oferta, mas a combinação entre retenção de produtores, concorrência argentina e riscos climáticos mantém elevada a incerteza sobre o equilíbrio entre oferta, consumo doméstico e exportações na safra atual e no próximo ciclo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.